20.5.13

Resenha: A Esperança


A Esperança - Suzanne Collins
421 páginas


"Uma vez na arena, o resto do mundo se torna distante – continua ele. – Todas as pessoas e coisas de que você gostava ou amava praticamente deixam de existir. (...). Por pior que se sinta com relação a isso, você vai ter de matar, porque na arena você só consegue um único desejo. E custa muito caro.
– Custa sua vida – diz Caesar.
– Ah, não. Custa muito mais do que sua vida. Assassinar pessoas inocentes? (...) Custa tudo o que você é."



Antes de qualquer coisa, já começo essa resenha avisando que se você espera um 'felizes para sempre' no final, pode pensar duas vezes antes de ler A Esperança.

Dito isso...

Suzanne Collins me surpreendeu de todas as formas que alguém pode ser surpreendido.

Me surpreendeu ao começar a narrativa em um ritmo lento, mas que passou longe de cair no tédio.
Os rebeldes do Distrito 13 resgataram Katniss da arena, onde ela participava dos Jogos pela segunda vez. Depois de se recuperar, ela vai até o Distrito 12 ver o que sobrou de seu antigo lar, onde só encontra cinzas e cadáveres daqueles que eram seus vizinhos.
E assim nós somos apresentados a uma Katniss completamente devastada física e psicologicamente.

Me surpreendeu ao apresentar uma resistência bem diferente do que eu imaginava.
Nós estamos acostumados a ter dois lados de uma história: o bom e o mau. Pois bem, como a Capital representa o mau, somos levados a acreditar que a resistência será o lado bom. Ledo engano...
Suzanne Collins humanizou de forma magistral seus personagens, fazendo com que não existissem dois lados, mas apenas interesses diferentes.
E para que seus interesses fossem alcançados, os rebeldes não estavam muito preocupados em serem bons ou justos.

Me surpreendeu ao fazer justiça a Peeta.
A forma com que ele foi retratado no segundo livro me deixou profundamente insatisfeita, porém Collins se redimiu, fazendo com que Peeta, que já era meu personagem preferido, ganhasse definitivamente o meu coração.
Ele termina Em Chamas como um refém da Capital e nós não sabemos ao certo o que está acontecendo por lá. Só temos vislumbres dele em entrevistas imprecisas realizadas por Caesar Flickerman, o que deixa a situação ainda mais angustiante.
Agora, inclusive, eu entendi o porquê de Peeta precisar ser sempre protegido por outras pessoas. Ele já é doce, gentil, simpático, forte, inteligente e altruísta. Seria pedir demais que também fosse um exímio lutador, né?! Não precisa Peeta, vc já é perfeito do seu jeito mesmo.
Em minha opinião é o personagem mais bem construído da trilogia.
A confusão mental em que ele se encontra em determinado momento da história e a dúvida sobre qual será seu destino foram a cereja o bolo.

Me surpreendeu ao me induzir a sentir raiva de Katniss.
De forma alguma ela é uma protagonista mosca-morta. Aliás, esse tipo de protagonista anda meio escasso ou é impressão minha? Espero que não seja só impressão!
Também tem o fato de Katniss ser uma vencedora, se levarmos em conta todos os obstáculos que já teve que superar.
Tudo no decorrer da trilogia nos leva a ter simpatia pela personagem, mas nesse livro ela mostra um lado egoísta que me irritou.
Custa entender que o Peeta foi telessequestrado e não está daquele jeito porque quer???
Mas eu até gostei de ter raiva dela, já que antes eu a enxegava muito como coitadinha. E também gostei do chega pra lá que Haymitch deu nela por causa desse egoísmo.

Me surpreendeu a forma com que o triângulo amoroso foi deixado de lado para que a guerra ficasse no centro das atenções.
Katniss fica, sim, naquele lenga lenga de 'quero Peeta', 'quero Gale', mas de uma forma sutil. Afinal de contas ela sabe que, nesse momento, a guerra é mais importante do que sua vida amorosa.

Me surpreendeu a forma com que o clímax da história foi administrado.
Não posso falar muito sobre isso, mas posso dizer que Collins conseguiu passar toda a emoção de estar em meio a uma batalha onde suas opções são matar ou morrer.

Por fim, me surpreendeu a quantidade de mortes e, principalmente, quem morreu.
Amiguinho, pode continuar lendo porque eu não vou contar quem morreu. E tendo em vista que você está lendo um livro onde o governo coloca crianças inocentes para lutar até a morte, acho que dizer que alguns personagens importantes partirão dessa pra melhor não é nenhum spoiler, né?
O caso é que eu fiquei irremediavelmente devastada com algumas despedidas. Só falo isso.

Como eu disse lá no começo dessa resenha enorme, não espere um 'felizes para sempre' porque ele não virá.
Não que o fim seja tão ruim assim, há alegrias, mas se a vida real não é cor de rosa, porque em Panem as coisas seriam diferentes?
Lembrem-se que uma guerra deixa cicatrizes, mas apesar de algumas delas serem muito profundas, o tempo se encarrega de amenizar a dor.

A despeito do que já li por aí, acho que Collins deu um final à altura de um grande sucesso. Sem dúvidas, A Esperança é o melhor livro da série.

11 comentários:

  1. Eu sou uma completa apaixonada por distopias, e a série de Jogos ainda não conseguiu ser batida por nenhuma das outras várias que li, e isso no sentido tratamento de personagens e emoção para mim que li.
    Como você disse lá em cima, eu acho que nunca existe um lado bom e ruim, só dois lados com diferentes interesses. E digo isso para todas as coisas na vida.
    Peeta tb é meu xodó! Amo esse personagem com profundo respeito a escritora que o criou.
    Gosto demais desse livro! Muito mesmo!
    Apesar de ser mais parado e do meu nervosismo pela situação de Peeta, eu acho que foi um final perfeito, apesar das circunstancias, afinal de contas, a vida tb tem pouco de "final, completamente, feliz".

    Amei a resenha!

    bjus
    terradecarol.blogspot.com

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    1. E eu amei seu comentário, Carol! Eu gostei muito da trilogia, principalmente desse último livro! Mas a minha distopia preferida até agora é Divergente/ Insurgente...

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  2. Caracas, My! Com tantas surpresas, quero ler esse livro, poxa! RsRs

    Ah, respondi a tag que tu me mandou! Bjs, sua linda!

    Gabryelfellipeealgo.blogspot.com
    Gabryel Fellipe

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    1. A trilogia toda é muito boa, Gabryel, compensa ler msm!

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  3. Opa...fiquei super empolgada pera ler a série. Gente...o livro parece ser deveras surpreendente e adoro tramas assim. Correndo para a livraria...
    Beijos!
    Paloma Viricio- Jornalismo na Alma.

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    1. Esse é o melhor da trilogia, mas Jogos Vorazes também é muito bom! Só Em Chamas que achei meio fraco no começo, mas o final compensa!

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  4. E ai está um dos meus livros favoritos no mundo. Tão envolvente, tão intenso... você não tem noção do quanto eu chorei lendo A Esperança. Peeta também é o meu favorito, e essa coisa de telessequestro foi fantástica. E aquele epílogo? Perfeito. Acho que eu nunca esperei um final feliz de Jogos Vorazes, mas essas mortes me deixaram atordoada. Collins tem um poder tão inacreditável em orquestrar a história de modo que você acaba realmente entrando naquele mundo, sei lá. Amo, vivo e respiro THG e pronto.

    P.S. Gostei muito da tua resenha Mi. E... você tem twitter, ou alguma coisa assim? Fanpage, sei lá.

    Gloria, Leitura e Pipoca.
    http://leituraepipoca.blogspot.com.br/

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    1. Gloria! Quando vc me disse que eu ia chorar muito eu NUNCA imaginei o motivo real! Fiquei chocada!
      Vou deixar meus contatos no seu Skoob, tá?!

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  5. Amei sua resenha, ainda não li os livros mas pretendo lê-los assim que dispuser de tempo. Os filmes me deixaram fascinada por JV .

    umarcoirisdeletras.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Adoro essa trilogia, Gabrielle, mas só vi o primeiro filme... Preciso urgentemente assistir ao segundo!

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