15.6.13

Autor parceiro: Adelson Correia da Costa

É com muito prazer que venho anunciar minha primeira parceria com um autor!


Adelson Correia da Costa é um escritor de Recife/ PE que também trabalha como administrador de empresas nos Correios e Telégrafos, porque, segundo o próprio, "viver apenas da letra é para poucos".

Ele é o autor de As Flores do Ruanda, além de ter colaborado em uma coletânea de contos natalinos chamado Seleta Cultural de Natal.

De 06 de abril a 10 de julho de 1994 ocorreu em um pequeno país centro-africano chamado Ruanda uma matança indiscriminada de milhares de indivíduos da etnia tutsi perpetrada pelos hutus com os quais convivem. As Flores do Ruanda é um romance que relata a épica jornada de um ano de duração de uma médica americana, Dra. Isabelle, inserida em um contexto hostil de guerra civil a serviço da Cruz Vermelha Internacional. O seu contato com os pigmeus africanos denominados twas nos apresenta este povo sofrido que, sem ao menos perceber as razões da matança generalizada, foi impiedosamente chacinado. Expulsos do Ruanda pelos hutus, os tutsis se organizam no exílio do Uganda e fundam a Frente Patriótica Ruandesa, grupo guerrilheiro armado que invade o país a partir do Norte, em busca da retomada do poder político central. Este esforço demanda intensas contendas e batalhas sangrentas, motivando a retaliação hutu por meio do genocídio ruandês, que visou o extermínio da etnia opositora. 

 Abaixo você confere uma entrevista com o autor. 

Fale um pouco de você para os leitores.
Falar de si mesmo é difícil, mas vamos lá: sou geminiano, de meia idade, pai de duas garotas, Carol de 12 e Sacha de 23, no entanto, moro só; eu e o ócio residencial que me dá a tranquilidade para ler e escrever à vontade, sem distrações, exceto por uns chatos latidos do cachorrinho da vizinha, quando a ração rareia acolá. Sempre fui curioso acerca da diversidade do mundo à minha volta. Esta estupefação em relação ao universo material, social e psicológico, além de gerar-me uma cara de nerd ou de pirado inofensivo, fez-me estudar muito até adquirir um verniz de conhecimento geral — sei um pouquinho de tudo e nada ao todo — necessário à formação multidisciplinar de um escritor. Sou Administrador de Empresas nos Correios e Telégrafos, funcionário público federal, porque viver apenas da letra é para poucos. Do tipo boa-praça, nunca tive dificuldade em fazer amigos colecionados sobre mesas de bares e rodas sociais variadas, quase todas legais. Destas amizades e da interação com elas, surgiu-me, personificada em fonte generosa, uma massa rude que moldo para criar personagens, razoavelmente, convincentes, expondo-os em experiências narrativas factíveis a qualquer um que os leiam.

Como e quando começou a escrever? 
Sempre gostei de escrever, mas somente criei coragem de elaborar textos literários quando me julguei minimamente conhecedor das regras da língua portuguesa. Não dava para ser escritor na burrice em que crescia. Percebi que tinha dom para escrever, por meio das redações em sala de aula, em tenra idade, mais ou menos, quando troquei os carrinhos pelas garotas.

De onde veio a ideia para esse primeiro livro?
A partir de julho de 1994, começaram a aparecer nos noticiários televisivos do Brasil, reportagens chocantes sobre os campos congoleses de refugiados do genocídio ruandês. Imagino que à época em que Williams Bonner era menor estagiário na Globo. Imagens de crianças à míngua me cativaram e escrevi um conto, em forma de protesto contra toda aquela covardia. Se não tinha bala para encaminhar à testa dos brutos, mandei texto nos malvados. Intitulava-se “Chope no Lebron”. Deixei-o quieto por muito tempo. Passei os anos da juventude submisso à tentação do credo materialista vulgar, até meados de 2008, quando uma gripe forte e mal-cuidada, ao me aproximar de Deus, fez-me obediente e culto de uma hora para outra. Resolvi, então, saborear o tal do “Chope no Lebron”, de novo, na esperança de refazê-lo, entre outros textos, como terapia contra a abstinência das tentações de outrora ainda vividas n’alma latejante. Para melhorar-lhe a qualidade literária, tive de buscar mais informações sobre o genocídio ruandês que não dispus em 94, época em que a internet era restrita aos meios científicos. Deparei-me com uma imensa fonte de dados sobre a catástrofe ruandesa e percebi que, num mero conto, não caberia tanto assunto. Daí, a razão do surgimento do romance “As Flores do Ruanda”, cujo gênero literário impôs-se à limitação do conto.

Fale um pouco do mundo que gerou a ideia desse livro.  
Melhor que meu depoimento sobre este tema é ver imagens e ler matérias sobre o fato. Basta digitar no Google “Genocídio Ruandês” para se ter acesso a informação sobre a maior catástrofe humana após a Segunda Guerra Mundial. Quem tiver a oportunidade de ler em inglês terá muito mais conteúdo à sua disposição. Em resumo, trata-se de um episódio histórico decorrente do massacre de cerca de 800 mil indivíduos das etnias tutsi e twa perpetrado por hutus. Uma coisa impensável, de louco. Só lendo para entender.

Indo contra toda a lógica da literatura atual, onde a preferência é por livros de literatura fantástica, você resolve escrever uma mistura entre romance e história. Não teve receios? O que te fez partir para esta temática? 
Esta é uma boa pergunta. Quando iniciei “As Fores do Ruanda” não tinha a mínima noção do mercado literário nem sabia aonde iria dar a minha empreitada. Iniciei por um capricho e tomei gosto pelo texto, aos poucos. Não sabia, por exemplo, que existiam blogues sobre literatura. Quando terminei o livro, busquei uma editora até encontrar a LP – Books que me deu a oportunidade de publicá-lo de forma independente (sem contrato assinado, como eu quis). Sendo assim, não me inclinei a escrever sobre a moda corrente, literatura fantástica, pois não tive ambições especiais quando comecei a escrever um romance. Existe uma verdade probabilística na literatura: quem é bom vence as barreiras e se estabelece, mais cedo ou tarde. Torço para que meu trabalho seja bem aceito pelo público e crítica literária, independentemente do tema, o que está acontecendo, paulatinamente, como condiz de ofício a um principiante recatado.

Conte aos leitores um pouco sobre As Flores do Ruanda.
As Flores do Ruanda é um romance que conta as aventuras de uma jovem médica americana no Ruanda a serviço da Cruz Vermelha, Dra. Isabelle, uma pobre azarada que, sem querer, meteu o bedelho onde e quando não devia: o período do genocídio ruandês, catástrofe humana de proporções épicas. Paixão, solidariedade, guerra, perdão, expiação, renúncia, ódio, intolerância e heroísmo formam um fluxo principal engrenado na sequência narrativa do livro. Trata-se de um romance que traz a compreensão do desencadear dos eventos que motivaram o conflito e onde é dada voz aos principais agentes envolvidos: FAR (Força armada ruandesa), Interahamwe (Milícia civil sanguinária), FPR (Frente Patriótica Ruandesa), Igreja, França, Bélgica, Estados Unidos e ONU. Pela ação dos personagens entendemos as relações entre as três etnias envolvidas na guerra civil, hutus, tutsis e twas. Ao adquirir-se o livro, paga-se por um produto e leva dois: literatura e história concomitantes.

Teve dificuldades de publicar seu livro? Conte-nos um pouco dessa trajetória.  
Não tive dificuldade para publicar este livro, pois optei por uma produção independente e mais palatável no meio editorial. Adquiro da editora o livro a baixo custo e revendo pelo preço de capa, ganhando a diferença. Na realidade, poucos vendo. A maioria eu dou como forma de divulgação. Sinto prazer em ver as pessoas, após lerem as “Flores do Ruanda”, tecerem elogios. O que a Lp-Books vende é dela, pois não assinei contrato que, por exemplo, me daria uns 10% do preço de capa sobre cada livro vendido. E por que não quis assinar? Para não me ver obrigado a uma proposta que não me seduz; por acreditar na qualidade deste romance e para estar sem amarras ao negociar os direitos autorais, principalmente de traduções, com uma editora maior, após o livro ficar bem conhecido. De início, expus parte do texto no site Mesa do Editor e recebi convites para publicação. Foi só escolher a proposta mais interessante. A minha meta principal é chamar a atenção de uma editora de língua inglesa, com vistas à tradução e incorporação da obra no mercado externo. Como o tema de “As Flores do Ruanda” é o genocídio, compreendo que, para os brasileiros, é incomum, mas não para sociedades com interesse e visão global do mundo mais presente na sua cultura. Dá para perceber que, até então, tenho tido só despesas; sendo otimista, as vejo como investimento de provável retorno.

Por que preferiu usar o contexto africano como cenário para a história?
Ao iniciar a As Flores do Ruanda não tinha grandes pretensões literárias. Escolhi um tema que era próximo ao meu conhecimento à época em que o escrevi. Não o fiz seguindo um modismo literário, pois “As Flores do Ruanda” era-me um assunto imediato sem maiores aspirações. Após pronto, cuspido, lambido e revisado 1, 2, 3, 4, "n" vezes, percebi que é um livro com qualidade suficiente para pleitear notoriedade.

Você participou de antologias. Qual a sensação de dividir o espaço com outros autores?  
A sensação é a de passar em um vestibular, pois, para estar em uma antologia, de algum modo, o escritor vence uma concorrência contra outros colegas, que também pleitearam participação. Quando a inclusão é mediante convite e não por seleção de texto, mesmo aí se nota critérios de opção da parte de quem conduz a antologia. 

O que você falaria para nossos criativos leitores que estão iniciando sua empreitada literária?
O conselho principal é para buscar constantemente a melhoria e, usando um lugar-comum atual, a excelência. Estudem muito criação literária, gramática e leiam bons autores sempre. Procurem o seu foco, o que tiverem de mais natural ao escrever e não sigam por modismos, pois é melhor escrever bem para poucos que mal para muitos. A pior sensação é perceber que o leitor, ao terminar seu livro, mostra-se indiferente e, sem um comentário elogioso, esquiva-se pelas prateleiras. O mercado é muito seletivo e, um dia, cobra a fatura de quem não se prepara e lança livro por lançar, carente de cuidados prévios necessários. Livro ruim que vende muito empurrado pelo marketing literário tem vida curta e morre de verdade, não deixando vestígios na história da literatura. Livro bom é livro eterno. Relacionem-se, por meio de blogues, mídias sociais, pelo Skoob e encontros literários na sua região. Para sobreviver, ao menos no início, procurem não depender, exclusivamente, da literatura: em paralelo, participem de concursos públicos, tentem outras profissões ou montem um negócio, pois, no princípio, a vida do escritor é de gasto e de algumas decepções. Ser escritor, em si mesmo, é difícil. Se eu tiver a ventura de reencarnar, se possível, serei cantor, não escritor. De mp3 em punho ou de gogó afiado, solto a voz numa praia e todos me ouvem. Por outro lado, ser lido depende da vontade do destinatário da mensagem. O livro não faz o barulho imperativo da música. Como em um videogame vocês irão vencendo as fases. Não se pressionem pelo reconhecimento público imediato. Muitos escritores fazem sucesso, justamente por serem bem sucedidos em outras áreas de atuação. Acima de tudo, escrevam por prazer. Só faz bem o que bem se faz.

Conheça o blog do livro.
Visite também o blog do autor.
Adicione As Flores do Ruanda na sua estante do Skoob.

8 comentários:

  1. Olá linda, tudo bem ?
    Passando aqui para ver as novidades e achei super interessante a entrevista do autor, apesar que o livro dele não faz muito meu gênero, porque gosto de outras coisas (risos)
    Mas ele parece ser uma pessoa muito sábia pelas palavras dele e também muito dedicada.

    Adorei, sinceramente fico boba de ver autores tão dedicados como ele.

    Outra coisa, sabe o que eu queria te pedir linda, queria perguntar se vc gostaria de fechar uma parceria com o meu blog ? Já tava para te perguntar isso faz uns dias e esqueci por causa da correria.
    Se quiser pode trazer meu selinho do I LOVE MY BOOKS pra cá que eu vou te linkar lá no meu. Só me manda retorno tá ?

    Outra coisa, depois passa no meu tbm que tem novidade
    bjokas

    lovereadmybooks.blogspot.com.br

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    1. Oi Silvana, quero sim! Vou lá no seu blog pra gente combinar direitinho!

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  2. Parabéns Michelly, pela parceria, que venham outras tão legais quanto essa!!!

    Beijos
    Patty Santos - Blog Coração de Tinta
    http://coracaodetinta.blogspot.com.br/

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  3. Que sua nova parceria renda bons frutos Mi!!! :)

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  4. Mi, PARABÉNS!!! \o/ Que seja a primeira de muitas parcerias e que renda bons frutos para vocês dois. Eu amei a capa desse livro e vou ficar aguardando sua resenha ansiosa para saber mais um pouquinho dele.
    Se garantiu na entrevista, hein??!!! :)

    Beijos!

    Café com Leituras!
    http://cafecomleiturasneriana.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, Neri! Mas deixa eu te contar um segredinho: eu roubei a entrevista! kkkkkkkkkk

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