3.6.13

News: George Martin fala sobre o penúltimo episódio da 3ª temporada de Game of Thrones

Depois do episódio bombástico de ontem de Game of Thrones, a Entertainment Weekly publicou uma entrevista com George R. R. Martin, autor dos livros que inspiraram a série da HBO.

ATENÇÃO: essa entrevista contém spoilers pra quem ainda não leu até o 3º livro de Crônicas de Gelo e Fogo ou assistiu até a atual temporada da série.


Em que momento do processo de escrita dos livros você soube que mataria Robb e Catelyn?
Eu sabia desde o início. Não no primeiro dia, mas muito cedo. Eu já disse em várias entrevistas que eu gosto que minha ficção seja imprevisível. Eu gosto que haja um suspense considerável. Eu matei Ned no primeiro livro e isso chocou muita gente. Eu matei Ned porque todo mundo acha que ele é o herói, e que com certeza ele vai entrar em apuros mas em seguida sairá dessa. A próxima coisa previsível é pensar que seu filho mais velho vai se rebelar e vingar o pai. Todo mundo espera isso. Então, imediatamente o assassinato de Robb tornou-se a próxima coisa que eu tinha que fazer.

Já que A Song of Ice and Fire subverte tantas vezes as expectativas do leitor e evita estruturas narrativas de fantasia tradicionais, os fãs devem ter alguma esperança real de que esta história terá um final feliz? Como o “Boy” disse recentemente em Thrones: “Se você acha que isso terá um final feliz, você não deve estar prestando atenção.”
Eu já disse várias vezes que eu pretendo fazer um final agridoce.

Que tipo de reações você recebeu dos leitores ao longo dos anos sobre essa cena?
Extremas. Tanto positivas como negativas. Essa foi a cena mais difícil que já tive que escrever. Fica em dois terços na narrativa do livro, mas eu pulei ela quando tive que escrevê-la. Então o livro todo estava pronto, mas ainda faltava esse capítulo. Daí eu o escrevi. Foi como matar dois filhos meus. Eu tento fazer o leitor sentir que vivo os acontecimentos do livro. Assim como você se lamenta se um amigo está morto, você deve se lamentar se um personagem fictício é morto. Você deve se preocupar. Se alguém morre e você só ir buscar mais pipoca, é uma experiência superficial, não é?

Por que você acha que gerou uma reação tão poderosa? Robb não era um de seus “personagens com ponto de vista” nos livros, e Catelyn não era realmente uma pesonagem amada.
[Longa pausa] É uma pergunta interessante. Eu não sei se eu tenho uma boa resposta. Talvez a maneira que eu fiz. Há uma certa quantidade de mau agouro que leva essa história. É uma traição. É numa festa de casamento. Robb trabalhou pela paz e você acha que o pior já passou. Em seguida, isso surge do nada. Há também personagens secundários mortos. Em seguida, centenas de juramentados Stark são mortos. Não são apenas duas pessoas.

Para mim, o fato de Robb e Catelyn serem uma família torna tudo pior. E Catelyn sofreu tanto e perdeu tantas pessoas ao redor dela, e ela realmente acha que perdeu mais do que ela realmente tem (já que ela não tem certeza de que Arya, Bran e Rickon estão vivos). E então, isso acontece.
Ela também tem o momento de advogar. A vemos matando um refém. Ele não é um filho que o Frey valoriza particularmente*. Então, no final o blefe dela é vazio. E ela o faz. Ela vai até o fim. Há um certo poder nisso também.
[*na série mudaram o filho Frey para a esposa]

Eu tenho certeza que eu sei a resposta para isso, mas: Alguma vez você já se arrependeu da cena?
Não, não como escritor. É provavelmente a cena mais poderosa nos livros. Custou-me alguns leitores, mas me ganhou muitos mais. Vai ser difícil para mim assistir a isso [na série]. Será uma noite difícil. Porque eu amo esses personagens também. E em um programa de TV que você começa a conhecer os atores, você também está terminando o relacionamento com um ator que você tem afeição. Richard Madden e Michelle Fairley fizeram um trabalho incrível.

O que você diria para os leitores que estão chateados com a cena?
Depende do que eles estão dizendo. O que você pode dizer a alguém que diz que nunca vai ler o seu livro novamente? As pessoas lêem livros por diferentes razões. Eu respeito isso. Alguns lêem para o conforto. E alguns dos meus ex-leitores disseram que sua vida é dura, sua mãe está doente, seu cachorro morreu, e eles lêem ficção para fugir. Eles não querem ser atingidos na boca por algo horrível. Quando se lê um certo tipo de ficção, onde o cara vai sempre ficar com a garota e os mocinhos vencem no fim, isso reafirma a você que a vida é justa. Nós todos queremos isso às vezes. Há um certo desprendimento do sofrimento nisso. Então eu não desprezo as pessoas que buscam isso. Mas isso não é o tipo de ficção que eu escrevo, na maioria dos casos. Certamente não é o que Ice and Fire é, que tenta ser mais realista sobre o que é a vida. Ele tem alegria, mas também tem dor e medo. Acho que a melhor ficção captura a vida em toda a sua luz e trevas.

Um dos meus elementos favoritos da cena é você apresentar essa ideia do “sal e pão.” – Nós aceitamos isso como leitores – ok neste mundo de fantasia as pessoas não prejudicam-se, uma vez elas que comem o pão e sal de um anfitrião. E então você quebra a sua própria regra. É como se estivesse batendo na cabeça do leitor por ser tão dura – “É claro que eles não vão seguir essa regra boba o tempo todo”.
Roubei isso da História. Leis de hospitalidade eram reais na sociedade da Idade das Trevas. Um anfitrião e convidado não estão autorizados a prejudicar uns aos outros, mesmo que fossem inimigos. Ao violar essa lei, a frase é “estão para sempre condenados”

E sobre o Casamento Vermelho em si? É com base em História também?
O casamento vermelho é baseado em um par de eventos reais da história escocesa. Um deles era um caso chamado The Black Dinner. O rei da Escócia estava lutando contra o clã Black Douglas. Ele estendeu a mão para fazer a paz. Ele ofereceu ao jovem conde de Douglas passagem segura. Ele veio para o Castelo de Edimburgo e teve uma grande festa. Então, no final da festa, [os homens do rei] começaram a batucar em um único tambor. Eles trouxeram um prato coberto e colocaram na frente de Earl e revelaram que era a cabeça de um javali negro – o símbolo da morte. E assim que ele viu, ele sabia o que significava. E então eles os arrastaram para o pátio, para morrer. O maior exemplo foi o massacre de Glencoe. O clã MacDonald passou a noite com o clã Campbell, com as leis da hospitalidade supostamente aplicadas. Mas os Campbells levantaram-se e massacraram todos os MacDonald que poderiam ter em suas mãos. Não importa o que eu invente, há coisas na história que são tão ruins quanto, ou até piores. 

Para ler a entrevista em inglês, clique aqui. 

6 comentários:

  1. Nem li a entrevista, porque ainda não li nenhum dos livros, mas com certeza vou querer ler.
    To esperando sair uma promoção bem legal para compra-los. (Santo submarino)! Hehehehehe!
    Beijos, Mi!

    Café com Leituras!
    http://cafecomleiturasneriana.blogspot.com.br/

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    1. Eu comprei os meus numa super promoção que teve lá, Neri... Todos os 5 por 80,00! Edição normal ainda! :)

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  2. Acho que eu sou a única pessoa que odeia essa série, kkk! (:
    http://leituramagnifica.blogspot.com.br/

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    1. A única não, Ana, mas é uma das poucas, viu! hehe...

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  3. Ai, gente! to quase caindo na tentação de assistir/ler essa série. Assisti o primeiro episodio e nao gostei muito, mas é um fuzuê tão grande que dá vontade de tentar de novo. Ai o medo é só me viciar e ter que comprar os livros.. e eles são Grandes com G maiúsculo! hehehe

    beijos =D

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    1. Eu comecei a assistir à série e até gostei, mas não fiquei muito empolgada. Aí comprei os livros porque meu namorado ficava falando na minha cabeça que era a 8ª maravilha do mundo, e eu acabei ficando mais viciada que ele! Em uns 2 meses, li os 5 livros e assisti a 1ª e a 2ª temporadas! A 3ª eu já tô acompanhando junto com a HBO msm, e só de pensar que domingo que vem é o último, me dá dor no coração! hehe...

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