24.8.13

Resenha: As Flores do Ruanda


As Flores do Ruanda - Adelson Correia da Costa
427 páginas

 
"Descobri que uma das incompetências do ser humano é não saber dividir, repartir e compartilhar a fartura que Deus pôs no mundo."


Anos atrás assisti a um filme chamado Hotel Ruanda, o qual mostra o genocídio ruandês ocorrido no ano de 1994. Desde então, não tirei a história dos tutsis e hutus da cabeça.
Sendo assim, fiquei muito surpresa quando me deparei com um livro, de um autor brasileiro, com a mesma temática do marcante filme. Lógico que logo me interessei por As Flores do Ruanda e fiquei muito feliz quando fechei uma parceria entre meu blog e Adelson Correia da Costa, responsável pela obra.
Desde já agradeço ao autor por ter, gentilmente, me cedido um exemplar de seu livro e confiado no meu trabalho no blog.

As Flores do Ruanda conta a história da médica Isabelle, uma jovem bem nascida, filha de um senador dos EUA, que vai para Ruanda a serviço da Cruz Vermelha.
No início, confesso que não gostei de Isabelle. Achei que ela seria só uma riquinha mimada que estava acostumada a ter seus desejos prontamente atendidos e pensou que ali, naquele país tão peculiar e violento, também seria assim. Porém, no decorrer da narrativa fui me afeiçoando à doutora, que se mostrou justa e corajosa, duas das características que mais aprecio em um personagem.

Chegando em Kigali, a capital ruandesa, Isabelle conhece Mike, o médico que será seu chefe. Mike é um personagem enigmático, daqueles que nós não conseguimos saber quais são suas reais intenções.
Aqui, preciso parabenizar o autor por manter o mistério sobre o médico, que é revelado no decorrer do livro.
Isabelle também é apresentada a Tharcisse e Mukono, personagens esses que, em minha opinião, foram os mais interessantes da história. Tharcisse com sua bondade e Mukono com seus mistérios me cativaram!
Outro ponto positivo da obra de Adelson é o fato de ele ter nos apresentado os twas, uma etnia que sempre fica à margem das histórias mas está muito bem representada nessa obra através de Tharcisse e Mukono.
A protagonista também constrói uma bela amizade com a enfermeira Rose e só o que posso dizer, para evitar spoilers, é que sua história me emocionou...

Porém, nem só de amizade e pessoas boas se faz a vida em Ruanda. Muito pelo contrário!
Kigali se mostra uma cidade onde impera o desrespeito ao ser humano, sendo que há casos onde pessoas nem são vistas como humanos, como é o caso dos twas.
Durante a história a Dra. Isabelle irá assumir os riscos por enfrentar a Interahamwe, uma violenta milícia ruandesa, além de constatar que na guerra somos obrigados a aprender a dizer adeus.

A única coisa que me incomodou em As Flores do Ruanda foi que, em determinados momentos, o autor exagerou no uso de um vocabulário muito rebuscado.
Longe de mim criticar a escrita culta, tanto porque um livro com um vocabulário muito simples corre o grave risco de se transformar em um trabalho medíocre, mas acredito que o equilíbrio sempre é a melhor saída. Ao meu ver, o excesso de palavras difíceis soa forçado e torna a obra um pouco cansativa, visto que o ritmo de leitura é prejudicado.
Afora isso, Adelson fez um trabalho muito bom, o qual, com certeza, recomendo!

2 comentários:

  1. Michelly, eu não sabia que existia livro da história, que incrível, com certeza quero ler! Também assisti ao filme tem alguns anos e ele é excelente. Sobre a linguagem rebuscada, as vezes cansa mesmo, mas provavelmente ocorreu em razão do ano do livro, que deve ser mais antigo!


    Abraços, Isabela.

    www.universodosleitores.com

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    Respostas
    1. Leia sim, Isa! Se vc gostou do filme, vai gostar do livro tb! :)

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