25.8.13

Um dedo de prosa...

Segundo o dicionário, o verbete preconceito significa a opinião, sobre algo ou alguém, construída a partir de análises sem fundamentos. Ou seja, classificar uma coisa como ruim só porque você é ou pensa diferente. Nas palavras de Voltaire, preconceitos são a razão dos tolos.

Preconceito literário, então, é prejulgar os leitores de acordo com o que leem. E isso é certo, amiguinhos? Não, não é certo e é muito feio! Ai ai ai...

Vira e mexe, me deparo com perfis no Skoob de pessoas que se acham superiores só porque dizem (atenção para o 'dizem') que só leem clássicos. Se você é uma dessas pessoas, eu te digo: desce daí.

É só procurar um pouquinho que encontramos vários artigos e reportagens exaltando os benefícios da leitura. E nenhum desses artigos e reportagens definem quais são os gêneros literários dignos de serem lidos, por um simples motivo: todo tipo de leitura é válida! Ler desenvolve o pensamento e a criatividade, melhora a capacidade de nos comunicarmos e, o mais importante, nos transforma em cidadãos mais conscientes ao aumentar nossa capacidade intelectual para construirmos nossa própria opinião.

Acontece que construir nossa própria opinião não significa sair criticando tudo que é diferente do que a gente gosta. Significa ter uma ideia sobre determinado assunto e respeitar a ideia do outro, mesmo que essa seja contrária à sua. Respeitar uma opinião diferente da sua é sinal de inteligência!

Atenção: não estou dizendo que você precisa concordar. Você só tem que respeitar. E eu utilizei o verbo 'ter' porque não é uma escolha mesmo não. Você é obrigado a respeitar o outro, sim! Afinal de contas você também quer ser respeitado, não quer?

Por exemplo, já cansei de ler e ouvir por aí que quem gosta de Cinquenta Tons de Cinza é um sem cérebro que só lê o que é modinha. Eu gostei de Cinquenta Tons de Cinza, logo sou uma pessoa sem cérebro que só leio o que é modinha? Olha, sem cérebro eu te garanto que não sou, e até leio livros que são modinha mesmo, mas leio outros que ninguém conhece também. E digo mais, os clássicos, para se tornarem clássicos, foram modinha um dia...

Aí tem o outro lado do preconceito literário, que é aquele que você sofre quando é acusado de ser o agente do preconceito. Vou explicar melhor. Eu não gosto de Crepúsculo, mas se falo isso corro o risco de ser acusada de ser preconceituosa. Só que não.

Como eu disse ali em cima, você tem o direito de não gostar de uma coisa e de expor sua opinião sobre essa coisa. O que não dá é pra achar que a sua opinião é a certa e ponto final. Eu acho a Bella Swan a personagem mais chata do universo, mas isso não significa que eu vou chamar de burra a pessoa que gosta dela! Se você gosta da Bella, eu respeito, e sei que você tem seus motivos pra isso. Mas eu não gosto dela mesmo não, e espero que também respeitem a minha opinião.

Ah é, já ia me esquecendo de uma coisa muito importante. Eu critico Crepúsculo porque li e vi motivos que me fizeram não gostar (leia-se Bella). Agora, se eu não li um livro, não posso dizer que não gostei, pois não tenho conhecimento suficiente para criticar. Por exemplo (gosto de dar exemplos porque fica mais fácil passar a mensagem), eu não gosto de romance estilo Nicholas Sparks, mas, como eu nunca li um livro dele, não posso afirmar se ele é bom ou mau escritor. E só o fato de eu não gostar não me faz ser preconceituosa com o gênero. Eu não gosto, mas não ofendo quem gosta.

Não julgue alguém pelo seu gosto literário, porque cada um tem direito de ler o que quiser! Discordar de uma opinião e debater suas ideias é super saudável, mas ofender ou classificar alguém como 'ignorante' por ler tal livro é muita estupidez...

Se ninguém é igual a ninguém, porque nossos gostos literários deveriam ser? Diga não ao preconceito literário!

PS: na verdade, diga não a qualquer tipo de preconceito, mas me apeguei ao literário aqui pra não esticar demais o post.

6 comentários:

  1. Só o que faltava agora era preconceito literário. Adorei seu texto e concordo com a sua opinião sobre o assunto, preconceito não cabe em lugar nenhum e sobre nenhum assunto.
    Eu leio de tudo e respeito a todos por suas leituras.
    Abraços

    http://reaprendendoaartedaleitura.blogspot.com.br/

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    1. Tb acho que é assim que tem que ser, Fernando!

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  2. Muito bom seu post, concordo contigo, cada um lê o que gosta e pronto, não curto o estilo 50 tons de cinza mas sei que muita gente começou a ler por causa dele, não critico quem lê o livro e gosto muito de Crepúsculo e nem por isso sou uma adolescente frustrada como dizem por ai ainda mais por que não sou adolescente rsrs

    bjos

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    1. As pessoas tinham que aprender a conviver com as diferenças e respeitar opiniões, né?!

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  3. Falou tudo!
    Cada um lê o que quer, o que da alegria e satisfação.
    Isso acontece em gêneros diferentes pra cada um e ninguém tem o direito de ficar criticando né?
    Muito bom o seu texto.

    bjs
    http://letrasdanana.blogspot.com.br/

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    1. Exatamente! Bom é fazer o que te faz feliz! :)

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