16.11.13

Resenha: O Nome do Vento


O Nome do Vento - Patrick Rothfuss
656 páginas


"Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de 'Kuouth'. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. [...]
Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros. Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorar.
Vocês devem ter ouvido falar de mim."


Fiquei um tempão pensando em como definir esse livro... O problema é que, como disse Oscar Wilde, definir é limitar, e uma obra dessa magnitude não pode ser limitada. Então, como explicar o que senti lendo O Nome do Vento?!

"A melhor fantasia épica de 2011". Não, essa opinião não é minha... Quer dizer, é minha também, mas quem disse isso foi, ninguém mais, ninguém menos, que George R. R. Martin. Ou seja, já comecei com as expectativas lá no céu, o que não é bom porque, como todo mundo sabe, quanto maior a expectativa, maior é a chance de você se decepcionar.
Pois eu digo pra vocês que o Primeiro Dia de A Crônica do Matador do Rei não chegou nem perto do que eu esperava. Ele ultrapassou, e muito, todos os meus melhores anseios, se transformando, rapidamente, em um dos livros mais incríveis que tive o prazer de ler.
 
Como qualquer coisa que eu disser sobre o enredo pode ser considerada spoiler, decidi dar uma ideia geral sobre a história e me concentrar mais em contar minhas impressões sobre autor e obra.
Então vamos lá!

O Nome do Vento nos apresenta a fantástica história de Kvothe, contada por ele mesmo.
Nosso herói está vivendo em Nalgures, atendendo pelo falso nome de Kote, dono da hospedaria Marco do Percurso, quando o Cronista chega na cidade e o reconhece.
Depois de alguma insistência por parte do contador de histórias, Kvothe decide contar a sua, mas avisa que levará três dias para finalizá-la. Nem mais, nem menos.
O Cronista aceita as condições e Kvothe começa, então, a narrar sua surpreendente e cativante vida.

Sobre o enredo...
Gente, isso que é fantasia de qualidade! É por causa de livros assim que esse é meu gênero literário preferido.
Como toda literatura fantástica que se preze, Rothfuss criou um mundo e nos fez acreditar que ele realmente existe. A forma com que a narrativa se desenvolve, nos apresentando cada lugar detalhadamente, é perfeita. 
Eu juro que pude sentir a tensão que existe todo tempo em Tarbean, o cheiro de livros e poeira do Arquivo, na Universidade e até o deslumbramento que Denna desperta em Kvothe. É tudo tão bem escrito que se torna palpável.
A história, em si, é empolgante, tem um quê de mistério, nos desperta vários sentimentos contraditórios e é muito bem amarrada.
É um livro complexo, sim, com um vocabulário um pouco mais rebuscado, porém, ao contrário do que você pode estar pensando, é de fácil compreensão. A leitura flui.

Sobre Kvothe...
Que George Martin me perdoe, mas nem ele conseguiu construir um personagem de forma tão magistral quanto Rothfuss fez com seu protagonista. E todo mundo sabe do meu fanatismo por Martin, o que prova que Rothfuss realmente me impressionou!
Kvothe começa a contar sua história a partir de seus primeiros anos de vida, quando ainda era parte da trupe dos Edena Ruh. Isso nos permite não só ver cada acontecimento in loco, como também entender a forma com que cada um desses acontecimentos foram moldando seu caráter.
Normalmente, os autores nos entregam um personagem pronto, com personalidade formada. Mesmo que haja mudanças durante o enredo, o personagem já vem com sua base construída, antes mesmo de sermos apresentados a ele. Com Kvothe não foi assim. Nesse caso, nós acompanhamos, de verdade, a construção do personagem. Vemos, passo a passo, ele ir se transformando em um grande herói.
Eu sei que tenho fama de me apaixonar por todo mocinho das minhas leituras, mas o que eu posso fazer se ando lendo só coisas de autores competentes, que sabem como criar figuras encantadoras? Além do mais, no caso do Kvothe, eu te desafio a conhecê-lo e não se apaixonar...

Sobre outros personagens...
Rothfuss não caprichou só no seu protagonista. Todos os personagens de O Nome do Vento são interessantes. Lógico que ele se aprofundou mais em Kvothe, mas outros também merecem destaque.
Denna, por exemplo. Até agora não sei se gosto ou não dela. Tem hora que sou tomada por uma enorme compaixão pela moça que precisava se virar sozinha, porque não tem ninguém no mundo. Já no momento seguinte estou morrendo de raiva da mulher egoísta que ela se mostra em determinadas ocasiões.
De qualquer forma, as cenas dela com Kvothe estão entre as minhas preferidas. Espere até você chegar no ponto em que Denna consome, por engano, uma certa substância alucinógena... É impagável.
O humor, aliás, se mostra presente em alguns personagens, mas sempre de forma sutil, nos trazendo trechos bem divertidos.
A amizade que Kvothe constrói com Sim e Wil é outro ponto alto. Aqui, mais uma vez, Rothfuss constrói a base sob nossos olhos, assim podemos acompanhar o amadurecimento dessa relação.
O livro ainda conta com outros personagens muito bons, mas não dá pra falar sobre todos, então vou deixar você conhecê-los sozinho mesmo.

Como já me estendi demais nessa resenha, só me resta pedir encarecidamente a vocês que leiam O Nome do Vento! É uma obra tão inacreditável que seria um pecado você não conhecer.
Parafraseando George Martin, é realmente muito bom, esse tal de Rothfuss...

15 comentários:

  1. Oie :)

    Nossa essa é uma série que eu só não leio, porque eu fiquei sabendo que o terceiro livro será lançado em 2015 então desanima. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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    1. Eu comecei a ler antes de saber disso, agora fico naquela agonia até o terceiro ser lançado...

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  2. Saiba, senhorita Michelly, que comprei esse livro por sua causa, e comprai os cinco das Crônicas de Gelo e Fogo, também por sua causa. :)
    Espero que eu goste desse tanto quanto você, o que tem uma chance muito grande de acontecer, né?
    Amei sua resenha! <3
    Beijos!

    Café com Leituras!
    http://cafecomleiturasneriana.blogspot.com.br/

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    1. Então lê todos logo pq eu tô doida pra saber sua opinião! hehe

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  3. Amei a resenha!!!!!!
    Você me deixou com mais vontade de ler esse livro.

    Bjus
    http://infinitoparticulardoslivros.blogspot.com.br/

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    1. Eu garanto que vc não vai se arrepender, Erika!

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  4. Adorei ler a tua opinião! *-*
    Fiquei com imensa curiosidade de ler já o livro! :p

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  5. Eu sempre achei a capa desse livro linda, agora depois de sua resenha perfeita, ele entrou pra minha listinha de desejados, toda vez fico paquerando ele na livraria, acho que na próxima vez terei de comprar, você me empolgou com sua resenha apaixonada.

    Bjks

    Patty Santos - Blog Coração de Tinta
    http://coracaodetinta.blogspot.com.br/

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    1. Apaixonada mesmo, Patty! Não consegui me controlar! hehe

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  6. Ai Mi, esse livro é fantástico, o meu super e hiper favorito, deu saudade do Kvothe, não existe ninguém como ele. Concordo com você, ele tornou-se muito real, dava para sentir cada detalhe de seus sentimentos, medo, alegrias, paixão entre outros.
    Mal vejo a hora de lançar o terceiro livro, acredito que em 2014, vamos torcer. aahhhhhhaaa eu querooooo!

    Bjo
    Luh Costa- bisbiblogando.blogspot.com.br

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    1. Eu li esse livro em julho e tb já estou com saudades do Kvothe! Acho que sai em 2014, mas em inglês... Até a Arqueiro traduzir, deve sair aqui só em 2015! :/

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  7. Oi, Michelly.
    Foi essa resenha que tirou minhas dúvidas sobre se compraria ou não o livro. Não sei quando conseguirei ler, mas cada vez que vejo essa capa, cada vez que leio essa resenha, me dá mais vontade de largar tudo e ir ler a história... vou me conter porque estou no final do semestre e tenho que me dedicar, sabe, hsuahsaus.

    Abraços.

    Rogério Queiroz - Uma dose de palavras.
    http://uma-dose-de-palavras.blogspot.com.br/

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    1. Então lê assim que acabar o semestre, Rogério! hehe... Quero saber sua opinião!

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  8. Curti a resenha. ^^
    Eu gostei demais desse livro! E o que mais me impressiona é que foi o livro de estréia dele. Uma maturidade rara para alguém que está só começando. E o Kvothe é realmente um personagem incrível, sem dúvidas um dos melhores que já vi. E quanto à Denna.. bem...é difícil falar sobre ela. Às vezes ela me irrita (porque me coloco no lugar do Kvothe), porém preciso saber mais sobre ela para decidir se gosto ou não..rs. Outros personagens de que gostei bastante foram o Sim, a Auri, a Feila e o Elodin (me divirto demais com ele)..
    Sou fã assumido de literatura fantástica e essa obra já está entre as minhas favoritas. :)
    Agora estou lendo "O Temor do Sábio". Assim que terminar vou dar uma lida na tua resenha sobre ele. ^^

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