13.6.14

Resenha: Réquiem


Réquiem - Lauren Oliver
304 páginas


"Talvez eles tenham razão. Talvez nossos sentimentos nos enlouqueçam. Talvez o amor seja mesmo uma doença e ficaríamos melhores sem ele.
Mas escolhemos um caminho diferente. E, no fim das contas, este é o motivo para fugirmos da cura: somos livres para escolher.
Somos livres inclusive para escolher o que é errado."


Finalmente foi lançado no Brasil o último livro da trilogia Delírio, escrita por Lauren Oliver, e claro, corri pra garantir o meu. Réquiem apresenta um recurso que me agrada demais, que é a narrativa sob vários pontos de vista. Na verdade, não são vários, mas só dois, o de Lena e o de Hana, porém já é o suficiente para que tenhamos uma visão mais geral da história.

Depois de ser infectada pelo deliria, ver seu grande amor morrer, se apaixonar por outra pessoa e ver seu grande amor ressurgir dos mortos, Lena agora é parte da resistência, assim como Alex e Julian. A vida na Selva está a cada dia mais difícil graças à fiscalização crescente que vem sendo feita a fim de eliminar completamente os inválidos, e aos grupos de rebeldes que atacam com o único fim de matar quem quer que passe pelo caminho. Além de lidar com essa triste realidade, Lena ainda se divide entre o amor de um garoto que a ignora e o carinho por outro que espera mais do que ela pode lhe dar. 
Enquanto isso, em Portland, Hana se prepara para seu casamento com o prefeito da cidade, Fred Hargrove. Mas alguma coisa deve ter saído errado durante seu procedimento, pois ela anda sonhando e sentindo coisas que não eram para estar sentindo, como compaixão e remorso...

O fato desse livro ser divido entre a visão de duas personagens foi uma das poucas coisas que me agradaram nele. A autora conseguiu diferenciar as duas narrativas, dando personalidade aos capítulos de acordo com suas narradoras. 
Os capítulos de Lena eram sempre apaixonados, repletos de conflitos e com emoções extremamente expostas. Bem no clima dos inválidos. 
Já os de Hana eram contidos e frios, mesmo nos momentos mais tensos. Claramente a narrativa de uma pessoa curada – ou quase – do deliria.

Dessa vez Lauren optou por dar mais destaque à parte distópica da histórica, focando nas batalhas, mostrando a vida a qual os inválidos estão sendo submetidos e até expondo a crueldade do líder totalitarista de Portland, o prefeito Fred Hargrove. 
Com relação à Fred, há um mistério sobre o passado de sua ex esposa o qual de acordo com que vamos desvendando, também vamos conhecendo a verdadeira personalidade do futuro marido de Hana. 
Por outro lado o romance foi deixado de lado quando a autora colocou o triângulo formado por Lena, Alex e Julian, em segundo plano. Acho que todo mundo já sabe que eu não gosto de muito mimimi, porém até eu achei que faltou um pouco de romance na história, ainda mais levando em consideração que o tema central dessa trilogia é o amor. 
Ao mesmo tempo que Lena meio que deixa claro qual é seu preferido, ela usa o outro descaradamente como um tipo de estepe. O pensamento da protagonista é assim: vou manter fulano interessado pra que, caso ciclano não me queira mais, eu não fique sozinha. 
Se o amor é transgressor a ponto de ser considerado uma doença, não entendi por que as relações nesse livro são tão frias, tirando uma ou outra demonstração de afeto e compaixão por parte de alguns personagens, mas nada que mostre aquele sentimento passional que vimos nos outros dois volumes.

Entre os personagens posso dizer que o único que não me irritou em nenhum momento foi Alex. Eu entendo perfeitamente suas atitudes, porque, poxa, o cara quase se mata pra salvar uma garota, sofre pra caramba até conseguir fugir, vai atrás dela cheio de esperanças e quando a encontra, ela já tá jurando amor a outro! 
Não concordo com o fato de Lena ter se apaixonado por Julian tão facilmente, falei isso na resenha de Pandemônio, e continuo não concordando com essa situação. Desse jeito fica parecendo que o amor é um sentimento raso e volúvel, o que eu não acho que seja.

Só voltando um pouco pra fazer uma observação, eu disse que Alex sofre até conseguir fugir porque imagino que tenha sofrido, já que Lauren não deu nem importância pra esclarecer o que houve de verdade depois que ele quase morreu no final de Delírio. 
E não é só isso que não fica claro. Na verdade quase tudo fica em aberto, e agora entendo perfeitamente por que várias pessoas consideram que essa trilogia não tem um final. Não tem mesmo. 
O desenvolvimento é ruim, mas pra ser justa, preciso dizer que a escrita de Lauren continua ótima. Leve e fluida, faz com que a gente não queira largar o livro pra nada, mesmo vendo que as páginas estão acabando e nada está sendo, de fato, resolvido.

Como não existe um final pra gostar ou desgostar, não posso dizer o que achei do desfecho dessa trilogia. O que posso dizer é que a maior parte desse livro me desagradou, pois muitas partes dele pareceram somente enrolação sem sentido. Gostei da escrita e gostei do fato de ter duas narradoras. Só. 
Considero esse final em aberto, inclusive, um desrespeito com os fãs que acompanharam a história ansiosos para saber a resolução das questões propostas pela autora nos livros anteriores. É como se ela se cansasse de escrever e parasse no meio, tipo: agora vocês imaginam o resto, ok?! 
Não, Lauren Oliver, eu não quero imaginar. Acompanhei sua história e agora eu só queria saber como ela acabava. É pedir muito?

6 comentários:

  1. Nossa, Milly! Estou decepcionado :(

    Não acredito que Lauren não deu um fim para Delírio! :O
    Fiquei bastante curioso quando soube que Hana e Lena seriam narradoras, mas esqueci que, se Hana já estivesse curada (sim, eu imaginei que talvez ela tivesse se tornado uma resistente) a sua parte contada seria fria! :(
    AAAAAH! Mal vejo a hora de ler e acabar com isso logo! Ultimamente tem sido assim: se espera por tanto tempo e o final nos decepciona! Pelo menos não criarei mais expectativas por Réquiem - talvez assim seja melhor! :D

    http://gabryelfellipeealgo.blogspot.com.br/
    El Costa - Confins Literários

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    1. Pois é Biel, eu não vi aquilo que ela fez como um fim, mas talvez você tenha uma opinião diferente... Você gostou de Pandemônio, eu não gostei, então ainda há salvação pra Réquiem pra você! hehe

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  2. Oi, Mi, tudo bem?

    Nossa, essa foi a primeira resenha que eu li e que deu um conceito "abaixo" para a série. Confesso que ainda nem li Delirio, mas sou super curiosa. Pena que a maior parte do livro te desagradou. Personagens chatos complicam mesmo =(

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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    1. O único da trilogia que eu amei mesmo foi Delírio. Os outros foram decepcionantes pra mim, Kel... :/

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  3. Oi, Michelly! Ainda não li a trilogia, mas tenho visto muitos elogios, quem sabe eu não leia?! Beijos!

    http://livro-apaixonado.blogspot.com.br/

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    1. Apesar de eu não ter amado os dois últimos, acho que a leitura da trilogia vale a pena sim!

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