22.8.14

Resenha: Harry Potter e a Ordem da Fênix


Harry Potter e a Ordem da Fênix - J. K. Rowling
704 páginas


"- Eu não pedi... Eu não quis... Voldemort matou meus pais! - protestou Harry, cuspindo as palavras. - Fiquei famoso porque ele assassinou minha família, mas não conseguiu me matar! Quem quer ser famoso por uma coisa dessas? Será que não pensam que eu preferia que nunca..."


Mais um Harry Potter, mais uma história inesquecível pra guardar no coração! E eu já começo assim pra mostrar que eu amo HP e que não sou imparcial, portanto, se você espera uma resenha estritamente técnica, desista, porque aqui você vai encontrar um relato apaixonado da releitura do quinto volume dessa série maravilhosa.

Harry está completamente isolado e sem notícias do mundo bruxo, porém, quando ele e seu primo Duda, são atacados por dementadores, um grupo de aurores o resgatam e o levam até a sede da Ordem da Fênix, uma sociedade criada com o fim de combater Voldemort e seus seguidores. Ainda chocado pela morte de Cedrico e pelo ressurgimento do Lorde das Trevas, Harry precisa lidar com o fato de que o Ministério insiste em ignorar a realidade, o que faz com que ele e Dumbledore fiquem completamente desacreditados no mundo bruxo.
Ao voltar para Hogwarts, os alunos se deparam com uma nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, Dolores Umbridge. A bruxa age a mando do Ministério e transforma a vida de Harry num verdadeiro inferno, como se já não estivesse ruim o bastante.
Acontece que, tanto Harry quanto seus amigos inseparáveis, Rony e Hermione, sabem do perigo iminente e não vão ficar de braços cruzados. Contra tudo e contra todos, eles terão que juntar forças a fim de lutar contra Voldemort, antes que seja tarde demais.

Se Cálice de Fogo foi o começo da mudança de tom da série, Ordem da Fênix representa a chegada definitiva desse novo tom. Bem mais sombrio e tenso que os outros livros, o quinto volume mostra um Potter revoltado e questionador. Agora o bruxo não aceita mais ser tratado como uma criança e exige explicações sobre coisas que os bruxos adultos insistem em esconder.
Tenho que admitir que essa recusa em dizer a verdade à Harry me irrita, porque é nítido que a falta de informações o deixa em situações muito mais perigosas do que se ele soubesse de toda a verdade. Por outro lado, lembro que na minha primeira leitura de Harry Potter, essas verdades sendo reveladas aos poucos me deixavam aflita para ler as próximas páginas, e foram, em boa parte, responsáveis pela minha ânsia de devorar logo os livros. Portanto, apesar de achar esse cuidado com Harry excessivo, gostei do mistério que Rowling fez em sua história, revelando seus segredos em pequenas doses e quase nos matando de curiosidade no decorrer de toda a saga.

Como eu falei, Harry está revoltado, e eu entendo perfeitamente o seu comportamento. Imagina você numa situação de risco e as pessoas se negando a te explicar o que está acontecendo e querendo tomar todas as decisões por você. Eu também iria me rebelar. E, pra falar a verdade, eu nem acho que ele foi tão mala nesse livro como é a opinião de alguns leitores.
É nesse volume que somos apresentados à Luna Lovegood, a bruxa avoada que conquistou nossos corações. Ela entra na história aos poucos, e é assim que vamos entendendo que a personagem tem muito mais a oferecer do que parecia inicialmente.
Outra que ganha voz definitivamente é Gina Weasley. Antes ela não tinha muito destaque, mas a partir de Ordem da Fênix ela passa a ter uma importância maior na história.
Mas dentre os personagens, o destaque total, em minha opinião, vai para Dolores Umbridge. Gente, como uma personagem pode ser tão insuportável assim? Acho que, se J. K. queria criar alguém pra gente odiar, esse alguém é a Umbridge. Em vários momentos eu quis entrar no livro pra socar a cara daquela mulher!

Há, também, momentos muito tristes durante a narrativa, inclusive uma das mortes mais dolorosas de toda a saga.
A ligação entre Harry e Voldemort também é melhor desenvolvida, e é aqui que começamos a ter noção do que pode representar esse elo.

A escrita de Rowling vai se mostrando cada vez melhor, e ela nos presenteia com um livro o qual transita da leveza ao surgimento do caos de forma muito competente. O clima conspiratório é mantido do começo ao fim, com alguns momentos de descontração no meio para dar uma quebrada – muito bem-vinda – no ritmo. É mais um livro fluido e gostoso de ler, mesmo levando em consideração seu tom mais sério.
Eu, particularmente, acompanhei a saga desde o começo, e fui crescendo junto com ela. Sendo assim, essa passagem da infância para a vida adulta acompanhou também o meu crescimento, o que foi muito especial, e um dos motivos pela minha ligação tão forte com a história. Agora, na releitura, além da sensação boa proporcionada por uma leitura de qualidade, também foi muito bom relembrar aquela época.

Harry Potter e a Ordem da Fênix é mais um livro incrível de uma autora genial de uma saga que marcou uma geração. Ou seja, leia!

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