26.9.14

Resenha: Extraordinário


Extraordinário - R. J. Palacio
320 páginas


“Sei que não sou um garoto de dez anos comum. Quer dizer, é claro que faço coisas comuns. Tomo sorvete. Ando de bicicleta. Jogo bola. Tenho um Xbox. Essas coisas me fazem ser comum. Por dentro. Mas sei que as crianças comuns não fazem outras crianças comuns saírem correndo e gritando do parquinho. Sei que os outros não ficam encarando as crianças comuns aonde quer que elas vão.”


August Pullman nasceu com uma grave má formação no rosto, acompanhada de alguns problemas de saúde. Por isso ele sempre foi superprotegido e nunca frequentou uma escola.
Entretanto isso parece que vai mudar pois os pais de Auggie, como é carinhosamente chamado, estão num impasse sobre matriculá-lo ou não num colégio, então o levam para uma visita no local para que o próprio garoto diga se quer estudar lá. O menino é, então, apresentado a três alunos e acaba decidindo por começar a frenquentar a escola.
Só que, como tudo na vida de Auggie, sua adaptação não começa bem. Ele já está acostumado a ver as pessoas olhando para seu rosto com expressões aterrorizadas, porém, alguns alunos não se contentam em demonstrar o quão horrível o acham, mas querem também transformar a vida do menino num verdadeiro inferno. Como se ele precisasse de alguém para ajudá-lo nisso.
Mas nem só de pessoas desagradáveis se faz um colégio. Lá, ele também conhece Summer, uma garota que logo no primeiro dia fez questão de se aproximar, e até sentou com ele no almoço! Também tem Jack, que desde o começo se mostrou um bom amigo.
Ao mesmo tempo em que passará por momentos difíceis, Auggie aprenderá com seus amigos que pode, sim, ser feliz, e que ser diferente é normal! 

Além do ponto de vista de Auggie, também temos capítulos narrados por outros personagens, como sua irmã, Via, e seus amigos Jack e Summer. Essas visões diferentes nos ajudam a ter uma ideia mais geral de toda a situação. Não são só os problemas de Auggie que são considerados, mas também os anseios das pessoas que o cercam e que se importam com ele.
Entre todos, amei Via e Summer. Achei ambas responsáveis, conscientes e completamente reais. Outros personagens me irritaram muito, mas não vou dizer quem pra não estragar as surpresas.
Sobre Auggie, minha opinião é um tanto quanto controversa. Me afeiçoei ao garoto condenado a viver com um rosto que odeia, porém achei ele muito mimado. Seus pais, ou mais precisamente sua mãe, sempre o cercou de cuidados, e isso realmente era necessário durante algum tempo, porém agora é hora de deixá-lo caminhar com suas próprias pernas. Essa superproteção acabou deixando o garoto ainda mais frágil e inocente, complicando sua vida seriamente e o deixando vulnerável a pessoas mal intencionadas. Tal vulnerabilidade, inclusive, fica clara em uma das cenas do livro.
Pois bem, o fato é que tanto mimo acabou deixando Auggie meio chatinho em determinados momentos, manhoso demais, sabe, e eu não gostei. Mesmo com todas as dificuldades, acho que ele devia ter sido ensinado a ter uma postura mais combativa com relação a seus problemas, o que o tornaria uma pessoa mais forte e mais preparada.
Mas Auggie, aos poucos, vai se livrando dos cuidados excessivos de seus pais e, consequentemente, vai se transformando numa pessoa mais otimista e dono de si. Mostrar esse crescimento foi um dos grandes trunfos da autora.  

A história é bonita, mostra a superação de uma pessoa que já nasceu fadada ao fracasso, mas não se contentou em ser mais uma vítima do mundo e deu a volta por cima. A narrativa é super agradável, fácil de entender e mescla momentos comoventes e engraçados perfeitamente.
As características do personagem principal vão sendo desvendadas aos poucos. Um pensamento aqui, uma fala ali, até descobrirmos finalmente como é o rosto do garoto. Isso nos dá a oportunidade de conhecermos sua personalidade antes de julgarmos o menino pela cara, como diz um trocadilho na contracapa do livro.
Não chorei – porque sou dura na queda e só um Gus e uma Hazel conseguem quebrar meu coração de gelo (mentira, não é de gelo não) –, mas não vou negar que me emocionei com o amor palpável no lar dos Pullman e, sobretudo, com Daisy.
Também foi positivo o fato de a autora fazer referência a várias outras obras, como O Hobbit, Star Wars e Guerra e Paz, por exemplo. Particularmente, adoro quando isso acontece.
Enfim, eu diria que não é August o extraordinário, mas sim sua história que é. Extraordinária e imperdível.

10 comentários:

  1. Pretendo ler esse livro, futuramente. Já vi em preço acessível.

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    1. Eu comprei ele bem barato, acho que foi uns 12 reais!

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  2. Oi Michelly,

    Parabéns pela ótima resenha. Não tinha parado para pensar no fato de Auggie ser mimado demais, mas sua resenha me fez refletir sobre isso. Ah, Daisy... Como eu fiquei desesperada. Daisy me emocionou demais. Enfim, eu amei esse livro, achei a história maravilhosa.

    Beijos - Tão doce e tão amarga.

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    1. Animais trazem uma delicadeza especial pra qq história, né?!

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  3. Nossa que resenha perfeita.*0*
    Eu nunca li,e nem tinha interesse, mas depois dessa sua resenha me interessei bastante!!
    http://infinitoinesperado.blogspot.com.br/

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    1. Que bom, Dani! Ele é bem tranquilo e compensa, viu?!

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  4. Esse livro é muito bom, faz a gente pensar "qual seria a minha cara ao ver o Auggie ?"

    maisumleitor.wordpress.com

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  5. Adorei sua resenha. Aguçou minha vontade de ler o livro. Parabéns!!!

    http://livrosrocknrolleoutrosvicios.blogspot.com.br

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