12.9.14

Resenha: Sombras Vivas


Sombras Vivas - Cornelia Funke
304 páginas


"A garrafa trocara de dono diversas vezes desde que Jacob a vendera. Tinha lhe custado quase um mês encontrá-la novamente. Um tempo que ele não tinha. A Maçã que Tudo Cura, a Fonte da Eterna Juventude... Ele gastara muitos meses procurando as coisas erradas, e a morte continuava alojada em seu peito. Estava na hora de tentar um remédio um pouco mais perigoso."

 
Jacob conseguiu salvar seu irmão da Maldição da Pedra pronunciando o nome da Fada Escura. Porém, tudo no Mundo do Espelho tem um preço, e a sobrevivência de Will custará outra vida: a do próprio Jacob. Acontece que, ao pronunciar o nome da Fada, o rapaz não só livrou seu irmão da pele de jade, mas também impôs uma maldição a si mesmo. Agora ele tem uma mariposa no peito pronta para devorar seu coração. Cada mordida significa menos vida para ele, na sexta mordida, Jacob morre.
Sendo assim, a narrativa já começa com o rapaz procurando uma forma de se livrar da maldição. Depois de perceber que suas chances são quase nulas, Jacob parte em busca de uma balestra cuja lenda diz ser capaz de exterminar exércitos ou devolver a saúde à suas vítimas, dependendo se foi disparada por ódio ou por amor.
Mesmo sem ter nenhuma comprovação da veracidade dessa lenda, Jacob e Fux partem numa busca desesperada pela salvação, porém as coisas ficam ainda mais complicadas quando Nerron, um goyl caçador de tesouros, também começa a buscar a balestra.
 
O segundo volume da trilogia Reckless supera, e muito, seu antecessor. Dessa vez me apaixonei perdidamente por Jacob e Fux, e quero muito que eles fiquem juntos de uma vez! Cornelia também acertou ao deixar de lado certas tramas que não combinavam com a história, como o episódio da água de cotovias – quem leu o primeiro livro vai entender, quem ainda não leu, é melhor que não entenda mesmo não.
A junção com os contos de fadas continua nesse livro, à exemplo do primeiro, porém de forma mais disfarçada. A escrita de Cornelia é empolgante e o ritmo também melhorou muito nessa segunda parte da história. Em Sombras Vivas, a ação foi perfeitamente mesclada com os momentos mais calmos e descritivos, e eu adoro descrições. Acredito que uma descrição bem feita é responsável por nos fazer mergulhar na história de vez, e Cornelia conseguiu isso. Durante toda a leitura eu estava lá, no Mundo do Espelho, perdida na busca de Jacob, torcendo não só pela vida dele, mas pelo final feliz do provável casal.
Além da trama principal, a narrativa também apresenta outras tramas subsidiárias tão boas quanto a busca pela balestra. Para encontrar o objeto mágico, é necessário juntar a mão, a cabeça e o coração de um antigo rei, portanto, cada etapa dessa busca apresenta seus próprios desafios, ainda com o plus da disputa entre Jacob e o goyl.
 
Já falei que gostei mais de Jacob e Fux nesse livro do que no anterior, porém também preciso falar do amadurecimento dos personagens. Em Maldição da Pedra eles foram apresentados, porém a personalidade de cada um não ficou tão clara quanto eu gostaria. Em Sombras Vivas essas características foram mais trabalhadas e agora posso dizer que conheço a fundo esses personagens. 
A narrativa não tem complicações e segue bem, o que não significa que as cenas fortes foram deixadas de lado. Claro que não é nenhum Guerra dos Tronos, mas há cenas bem sangrentas no meio da história, o que, na minha opinião, confere um ar mais adulto ao livro. Um ótimo exemplo do que estou falando é o fato, já mencionado, de a captura da balestra depender da junção de partes do corpo de um cadáver.
O clímax fica por conta do final, como tinha que ser, e o desfecho foi bastante satisfatório. No fim das contas ficaram faltando algumas explicações propositalmente, criando um gancho para o que virá a seguir. Pena que ainda não temos nem notícia sobre o último volume da trilogia, porque eu mal posso esperar para saber como essa história vai terminar!
 

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