7.11.14

Resenha: Drinques para Três


Drinques para Três - Madeleine Wickham
352 páginas



"Como poderia descrever o encanto que sentia toda vez que via o brilho nos olhinhos de Lucia ao vê-la; toda vez que aquele rostinho enrugado se abria num sorriso? Como poderia explicar que, em alguns dos seus momentos mais felizes estava morta de cansaço?"


Drinques para Três conta a história de três amigas com histórias bastante diferentes. Em meio a coquetéis e dilemas, vamos sendo apresentados a elas, numa narrativa bem estilo “a vida como ela é”, mesmo que um tanto poetizada às vezes. O trio trabalha no editorial da revista Londoner, sendo esse um dos panos de fundo da narrativa.

Candice carrega uma culpa que deveria ser, na verdade, de seu pai já falecido. Ainda muito jovem, quando ele morreu, ela e a família descobriram que ele havia aplicado alguns golpes, e entre as vítimas estava o pai de Heather. Acontece que um dia Candice vê Heather trabalhando como garçonete no Manhattan Bar, e decide que chegou o momento de recompensar a garota por todo o estrago causado no passado. Quem não concorda com isso são suas amigas, Maggie e Roxanne, as quais desconfiam da garçonete. Mas Candice está mais preocupada em limpar sua consciência e tenta ignorar a dúvida: será que Heather a engana ou é realmente a boa amiga que se mostra?
Maggie está grávida. Grávida e apavorada. Decididamente, ser mãe não estava nos seus planos, ainda mais se atentarmos para o fato de que ela não tem jeito com crianças, chegando ao cúmulo de nunca sequer ter segurado uma! Além disso, ela e o marido Giles se mudaram para uma casa no interior com um vasto terreno só deles. A mãe de Giles mora perto e é quem vai ajudar Maggie quando a criança nascer, já que seus pais vivem bem longe dali. Mas Maggie não está preparada e o momento da chegada do bebê se aproxima, o que a deixa cada vez mais angustiada e infeliz com a vida perfeita que leva...
Roxanne é freelancer e trabalha para a Londoner, entre outras revistas. Com o intuito de preparar suas matérias, ela vive viajando e frequentando sempre os melhores hotéis. Mas já na faixa dos 30, Roxanne se preocupa por não ter mais o viço das meninas de 18 e por até agora não ter nem a possibilidade remota de dar um fim à sua solteirice. Solteira, mas não sozinha. Ela tem um caso com o “Sr. Casado e com Filhos”, mas não consegue abandoná-lo, mesmo depois de várias decepções por ser sempre deixada em segundo plano. Apesar de o caso durar 6 anos, ela nunca contou para as amigas quem é o misterioso dono de seu coração, mas nós descobrimos quem é, assim como Roxanne descobre que a vida pode ser ainda mais dura do que aparenta.

Logo no começo da leitura vi uma semelhança muito grande desse livro com Sushi, de Marian Keyes. A diferença é que, enquanto em Sushi a vida das quatro protagonistas se entrelaçam, em Drinques para Três cada uma tem sua história desenvolvida separadamente. Eu prefiro quando há o cruzamento entre as vidas dos personagens, mas o estilo escolhido por Madeleine Wickham também funcionou.
Aliás, Madeleine Wickham é um pseudônimo usado por Sophie Kinsella, autora de vários best-sellers a qual eu nunca havia lido antes. Sei que a marca da autora é o humor, mas antes de começar o livro já havia sido alertada por outras resenhas que ela abandonou o estilo engraçadinho, fazendo com que a história de Candice, Maggie e Roxanne fosse mais adulta do que a de suas outras obras. Apesar disso, a escrita apresentada é leve e a falta de humor não representa um prejuízo à trama.

Entre as personagens a que mais me irritou foi Candice com sua ingenuidade que beira à burrice. E o engraçado é que logo na primeira cena eu pensei que fosse Roxanne e Maggie que iriam me irritar, porém acabei me apegando a elas, principalmente à Maggie, minha preferida entre as três.
Há que se falar também em Heather, uma personagem muito bem construída e que cumpre sua finalidade: nos fazer sentir vontade de matá-la.
Também quero falar sobre Giles, que apesar de não ter tanto destaque quanto eu acho que merecia, conseguiu me conquistar em poucas aparições. Ele representa a prova de que os homens dos livros não precisam ser idealizados demais para serem perfeitos.

Gostei da história, amei a narrativa (inclusive minha vontade de ler outros livros de Kinsella aumentou) e achei o final bem coerente, apesar de meio açucarado. Mas se teve uma coisa que não gostei foi o fato de as personagens apresentarem atitudes incrivelmente irresponsáveis, como por exemplo o fato de uma grávida beber drinques alcoólicos como se fosse a coisa mais normal do mundo. Apesar de essas passagens serem apenas um pequeno detalhe, pra mim representa um exemplo a não ser seguido, principalmente se levarmos em consideração que nenhum personagem do livro contesta esse tipo de atitude.
Sei que posso estar sendo exagerada ou moralista demais (Deus me livre disso!), mas acredito que livros também são formadores de opinião, portanto seria interessante que houvesse ao menos a menção de que certas atitudes não são legais.
De qualquer forma é bom deixar claro que essa crítica é muito pequena perto do quanto esse livro é bacana. A história é interessante e ainda por cima é contada através de uma escrita envolvente, ou seja, recomendo demais Drinques para Três. Você pode até não amar tanto quanto eu, mas te garanto que odiar também não vai, porque é impossível não se afeiçoar a pelo menos uma das três amigas do Clube do Coquetel!

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