26.12.14

Resenha: Prisioneiros do Inverno


Prisioneiros do Inverno - Jennifer McMahon
350 páginas


"O rapaz voltou da floresta sozinho, catatônico, coberto de sangue. Nunca foi capaz de dizer o que havia acontecido. Acabou sendo acusado de assassiná-la, muito embora nenhum corpo jamais tenha sido encontrado. No fim, ele foi considerado doente mental e internado no sanatório do estado."


Há anos um mistério assombra a fria cidade de West Hall. Depois de perder tragicamente sua pequena Gertie, Sara Harrison Shea fica inconsolável, beirando à insanidadae. Contudo, ela acaba enxergando uma luz no fim do túnel ao descobrir um velho ritual que traz os mortos de volta à vida por 7 dias. Só o que Sara pensa é em como seria maravilhoso ter mais um tempo com sua filha, pelo menos o bastante para se despedir, pois nem a isso elas tiveram direito.
Anos mais tarde, Ruthie volta para casa depois de um fugidinha com o namorado e percebe que sua mãe, Alice, sumiu sem deixar rastros. Para piorar a situação, sua irmã mais nova, Fawn, está com febre, e ela fica com toda a responsabilidade em suas costas. Coisa, aliás, que nunca havia acontecido antes. Em meio a chás e Tylenol, as duas irmãs passam a vasculhar a casa em busca de pistas sobre o que pode ter acontecido à Alice, quando acabam descobrindo um estranho diário contando a vida de uma mulher chamada Sara Harrison Shea, que parece ter morado ali, na mesma casa onde moram agora.
Ao mesmo tempo, Katherine se muda para West Hall. Depois de um fatídico acidente de carro que matou seu marido, ela descobriu que ele andava mentindo, sendo que o último lugar onde esteve foi a tal cidadezinha. Além do marido, Katherine também perdeu o filho meses atrás, portanto, sem mais nada que a segurasse, ela vai para West Hall em busca de esclarecimentos sobre o que, de fato, seu marido fez em suas últimas horas.
E é aí, então, que as vidas dessas três mulheres tão diferentes, se entrelaçam. Quais são os mistérios que cercam West Hall? Como as atitudes desesperadas de Sara podem ter afetado a vida de tanta gente durante anos? E o mais importante, o que é necessário para trazer os mortos de volta à vida?

Preciso desabafar uma coisa pra vocês: fui enganada! Quando li a sinopse desse livro, imaginei se tratar de um thriller policial. Porém, logo nas primeiras páginas percebi que essa seria uma delicosa história de suspense. Sendo assim, é melhor eu dizer que fui deliciosamente enganada, e não me importaria se acontecesse novamente!

A narrativa é divida entre o passado e o presente. O passado é mostrado através do diário de Sara e da narrativa de Martin, seu marido. Já o presente fica por conta de Ruthie e Fawn e a busca por sua mãe; e de Katherine, que está atrás de explicações sobre os motivos que levaram o marido a mentir para ela em seus últimos dias de vida.
Ruthie começa como uma típica rebelde sem causa, porém, ao sentir o peso da responsabilidade, ela se transforma em alguém digno de confiança e muito capaz de cuidar de Fawn. Katherine está tentando se recuperar das terríveis perdas que sofreu, e tenho que parabenizar a autora por ter feito com que esse esforço fosse nítido aos olhos do leitor. Sara era uma mulher alegre e muito apegada à Gertie, o que fez com que ela chegasse ao fundo do poço (com o perdão do trocadilho infame, pra quem já leu o livro) com a morte da garota. Aqui também devo dar o mérito à Jennifer McMahon, pois o desespero de Sara é tão palpável que nos faz sentir a mesma angústia que imagino que a personagem sentia.
As partes do presente são focadas nas buscas dessas três personagens, por Alice e por respostas. Já a parte do passado, a mais interessante e a que mais me prendeu, é voltada à vida de Sara antes e depois de Gertie. O relacionamento com Martin também foi bem desenvolvido, ficando mais conturbado de acordo com que a mulher ia tornando-se mais obssessiva com a ideia de ter a filha de volta.

Apesar de ser um livro focado no sobrenatural, temas como a loucura, o amor e a vingança, ajudam a guiar a história. A autora conseguiu dosar esses elementos de forma a entregar um texto que instiga nossa curiosidade, o que eu já disse por aqui que adoro.
As respostas que tanto ansiamos nos é dada aos poucos, e não tudo no final como acontece em algumas obras. É através do diário de Sara que vamos entendendo o presente, até o grand finale sufocante (olha eu com meus trocadilhos outra vez).
Pra mim, Prisioneiros do Inverno é a prova de que livros únicos também podem ser completos, com começo, meio e fim bem explicados. Jennifer conseguiu nos prender à história e dar um final plausível, mesclando perfeitamente o real com o sobrenatural. Espero que outros livros da autora sejam publicados no Brasil, pois gostei muito de sua escrita e de sua criatividade. Por isso, e por tantos outros motivos, recomendo!

4 comentários:

  1. Olá Michelly, tudo bem?

    Eu não conhecia o livro, mas fiquei super interessado nele. A premissa me encantou logo de cara e sua resenha também ficou muito boa. E essa capa? UAU!. Já adicionei a lista de desejados. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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    1. Também amei a capa, Gabriel! Ela é linda demais!

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  2. Olá Michelly,

    Fomos "deliciosamente enganadas"...kkk! Lendo a sinopse também acreditei que tratava-se de uma história policial, justamente pelos desaparecimentos. Enfim, não curto muito o assunto sobrenatural (sou medrosaaaa) mas tenho que admitir que o livro é sensasional. Tive que mudar meu hábito de leitura: ao invés de ler antes de dormir, tive que ler durante a luz clarissíma do dia...rs!
    Adorei a resenha...logo, logo publicarei a minha.

    Beijos

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    1. Quero ver sua resenha, Andreia! Eu não sou tão medrosa, mas confesso que me senti angustiada em alguns momentos do livro...

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