13.12.14

Um dedo de prosa...

Há alguns meses li meu primeiro livro focado na temática homoafetiva, o que me despertou a curiosidade sobre como os leitores encaram obras que abordam esse tema. E para matar essa curiosidade, nada melhor do que levar um dedinho de prosa com vocês, né?!

Não é segredo pra ninguém que o preconceito contra as minorias ainda é gigantesco, apesar de, muitas vezes, vir disfarçado. Porém, pelo menos eu espero que quando se trata de leitores, ou seja, pessoas esclarecidas e com uma visão mais criativa do mundo, esse preconceito seja quase inexistente.
Mas ainda assim, consegui encontrar casos de leitores que torcem o nariz para um livro quando este aborda o homossexualismo de forma um pouco mais direta. Veja bem, não estou dizendo que você é obrigado a se interessar por uma obra nesses moldes, ou que, depois de ler, você não pode ter uma opinião negativa sobre a história, pois é óbvio que isso vai do gosto de cada um. Estou falando daquelas pessoas que acham um absurdo uma história abordar o amor entre duas pessoas do mesmo sexo, como se só seu próprio modo de vida importasse ou fosse o correto.  
Não existe certo e errado com relação à opção ou orientação – como você preferir – sexual, assim como não existe certo e errado em literatura. Existe o que você gosta e o que você não gosta, mas isso vale única e exclusivamente para sua vida, e não para a dos outros.
Com relação ao livro que me despertou essa reflexão, que foi Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, acho bobeira alguém se recusar a lê-lo porque fala de dois amigos, homens, que se apaixonam. O livro é lindo, cativante, bem escrito e muito profundo. Além de tudo isso ele foi o instrumento pelo qual o autor, Benjamin Alire Sáenz, assumiu sua homossexualidade.

“Quase não escrevi esse livro. Minha jornada em busca da aceitação da minha sexualidade tem sido dolorosa, difícil, complicada e conflituosa. E bastante longa. Como se diz hoje em dia, eu ‘saí do armário’ aos 54 anos. Estava um pouco atrasado. É justo dizer que, ao fim dessa jornada, estava ferido.”

E assim como Benjamin, outras pessoas são feridas todos os dias por causa da ignorância de alguns. E aí está um dos lados mais positivos dessas histórias, o fato de mostrar todo o caminho que as pessoas percorrem até a aceitação sobre sua sexualidade. Assim fica clara a questão mais óbvia de todas, mas que infelizmente muitos não enxergam: o que importa em um indivíduo não é sua orientação sexual, mas sim o seu caráter.
Essa promoção do respeito pela diferença é um serviço muito importante que os livros estão prestando à sociedade. Aliás, mais um serviço, entre tantos outros que prestam!

Além de Sáenz, outros autores têm se dedicado a escrever sobre o tema, como é o caso de John Green, David Levithan e Andrew Smith, e das brasileiras Karina Dias e Rafaella Vieira. Observem que são livros para jovens, o que mostra que o mercado está se abrindo para esse tipo de leitura.

Enfim, o importante é saber que desde Adolfo Caminha com seu Bom Crioulo até Levithan com seu Garoto Encontra Garoto, a literatura abraçou o tema da homossexualidade, nos mostrando histórias lindas e livres de preconceito, onde o gay é representado pelas suas atitudes e não por quem ele se sente atraído. O relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, que antes era narrado de forma promíscua, hoje nos mostra vínculos de amor e fidelidade, coisa que muitas vezes não encontramos nos relacionamos heterossexuais, por sinal.
No final das contas não importa qual é o tipo de casal, o que nós, leitores, queremos são livros bem escritos, empolgantes e que, no mínimo, nos despertem sentimentos bons.

E você que chegou até aqui, agora me conta: o que pensa sobre isso?

6 comentários:

  1. Acho besteira não ler determinado livro só por ser um romance gay, no meu caso eu não leio só por ser romance (ponto) não é nem de longe um gênero que me atrai, tenho Will & Will aqui mas ainda não tive tem-- vontade de ler, mas é principalmente porque o John Green me decepcionou de forma assombrosa com Cidades de Papel e desde então não quis ler mais nada dele (mas já tinha comprado o livro)
    Minha metade silenciosa tem temática gay? Faz tempo que venho querendo ler ele, a informação que chegou até mim foi de que é uma história real sobre um cara com uma orelha só.

    Grande abraço Milly!!

    (Tô com preguiça de linkar o blog aqui mas você sabe onde me encontrar né)

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    1. Um dos protagonistas de Minha Metade Silenciosa é gay :) Mas é a história de um cara que tem só uma orelha mesmo! hehe

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  2. Oiee ^^
    David Levithan é divo ♥ amo esse cara de paixão! Os livros dele são maravilhosos, sem contar que os personagens são encantadores! Eu acho ridículo que ainda hajam pessoas que são "contra", como se a opinião delas fosse valer de alguma coisa e todo mundo fosse "parar de ser gay" porque elas não gostam. Não posso começar a falar dessas coisas que já fico revoltada, então paro por aqui...kkkk'
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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    1. Pois é...Tb não entendo pq as pessoas acham que têm o direito de ser contra ou a favor... Vai entender o ser humano!

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  3. "No final das contas não importa qual é o tipo de casal, o que nós, leitores, queremos são livros bem escritos, empolgantes e que, no mínimo, nos despertem sentimentos bons. "
    Isso ai Michelly, falou tudo <3 Amei ...
    Falando nisso estou lendo o Garoto Encontra Garoto e já ganhei o Will & Will do boyfriend ^^
    Bjos
    ~ Matt the King ~

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    1. Eu vi seu post e adorei o jeito como vc escreveu!

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