9.1.15

Resenha: Correr ou Morrer


Correr ou Morrer - James Dashner
426 páginas


"Thomas tentou engolir, mas a sua boca estava seca demais. Newt correu até ela e abriu-lhe os dedos, agarrando o papel. Com as mãos trêmulas o desdobrou, depois caiu de joelhos, abrindo o bilhete no chão. Thomas aproximou-se dele por trás e deu uma olhada.
Rabiscadas no papel em grossas letras pretas viam-se quatro palavras.
Ela é a última."
 

Ao acordar num lugar escuro, Thomas não se lembra de mais nada além de seu nome. Logo ele percebe que está num elevador, que o leva direto a um local cheio de garotos, o qual eles chamam de Clareira. Cada mês a Clareira recebe um novo morador. Sempre um menino.
Nesse lugar há um labirinto habitado por criaturas mortais chamadas de Verdugos, sendo que as entradas desse labirinto se fecham toda noite. Sendo assim, os Corredores, nome dado aos garotos que exploram o labirinto, só podem trabalhar durante o dia e têm que tomar muito cuidado pra não se atrasarem e ficarem presos do outro lado dos muros com as tais criaturas assassinas.
Além dos Corredores, existem outras funções na Clareira, as quais são divididas de acordo com as habilidades de cada um. Há os responsáveis pelos animais, pela horta, pelos mortos, pelos feridos, pela limpeza, e assim por diante. Tudo lá é esquematizado com o intuito de que eles descubram como foram parar naquele lugar e o porquê de estarem ali, já que nenhum deles têm memórias do passado.
Tudo começa a ficar ainda mais estranho depois da chegada de uma garota, a primeira em 2 anos. Ela traz consigo uma mensagem aos clareanos, mas está em coma, portanto não pode esclarecer nada para eles. Agora cabe à esses jovens fazer de tudo para se salvarem, pois seu tempo está acabando. É correr ou morrer.

Que labirinto é aquele? Existe saída? Por que os clareanos foram parar naquele lugar? Alguém os vigia? Existia alguma ligação anterior entre eles? Por que somente uma garota?
Essas são apenas algumas perguntas que nos torturam durante a leitura desse livro. E de acordo com que a história vai rolando, surgem muitas outras. Obviamente há respostas também, mas pra cada resposta, duas novas questões são construídas.
Só por aí já dá pra perceber o quanto James Dashner é um autor excelente, pois nem todos são capazes de criar uma teia tão complexa de perguntas e respostas, nos deixando sempre presos à narrativa. Sua escrita também é deliciosa. Não é simplória, mas é fácil e nos convida a continuar lendo por horas a fio, sem querer parar.

Os cliffhangers no final de cada capítulo são de matar. Confesso que desde Crônicas de Gelo e Fogo, não via um livro com desfechos de capítulos tão pragmáticos.
Outra ótima sacada - mais uma - foi fato de Dashner ter criado um vocabulário próprio pros clareanos. Não é nenhum élfico de Tolkien, ou nenhum dothraki de Martin, as quais têm uma gama imensa de palavras, mas é um jeito de falar que dá personalidade aos personagens e, de quebra, ao livro. Trolho, fedelho, plong, são só alguns exemplos. Elas aparecem com bastante frequência durante o texto, e é incrível como já estou familiarizada ao modo de falar daqueles garotos.

Apesar de as histórias não terem nada a ver, o primeiro volume de Maze Runner me lembrou muito a saga de Harry Potter em um aspecto: ficamos completamente presos à história, e quando não é pela ação, é pelo mistério. Essas duas nuances são mescladas de uma forma que só J. K. havia conseguido.
Ele também tem um quê de Jogos Vorazes, no sentido de que traz um grupo de jovens lutando pela sobrevivência num espaço limitado. Mas as semelhanças param por aí, pois Correr ou Morrer não é cópia de nada e apresenta um enredo único. E incrível, claro.

Como só há uma menina na história, não espere por muito romance. Claro que fica aquela coisinha no ar, aquele climinha de paixão adolescente entre ela e Thomas, mesmo ela estando em coma. Como isso acontece, vocês terão que ler pra descobrir.
Mas o caso é que a proposta de Maze Runner é ser brutal. Brutal quando nos deixa à beira de um ataque de nervos pra descobrir os segredos que são jogados na nossa cara, brutal ao descrever ataques, ferimentos e mortes durante a narrativa, brutal pela maneira que aqueles jovens são tratados e pelas coisas a que são submetidos.

Os personagens são diferentes entre si e tem pra todo gosto. Dentre os de destaque estão, além do misterioso protagonista, Thomas, tem também o impulsivo Minho, o sábio Newt, o divertido Chuck, o soturno Gally, o introspectivo Abner e a forte Teresa. Meu preferido é o Newt, ainda mais depois que descobri que quem interpreta ele é o mesmo ator que interpretou Jojen Reed em Game of Thrones. Pois é, sou dessas. Se eu me apaixono por um personagem, pode saber que vou gostar de todos os outros que aquele ator interpretar.

No final das contas, meu medo de me decepcionar com essa história foi devorada pelo primeiro Verdugo que apareceu e eu seria a mértila de uma trolha se tivesse demorado mais pra me aventurar na Clareira. Fiquei irremediavelmente presa àquele labirinto e assim que acabei de ler o primeiro livro só quis correr pros braços do segundo, Prova de Fogo, e foi o que fiz. E olha, não queria sair desse labirinto nunca mais!
 

13 comentários:

  1. Oi Michelly, como vai?

    Eu adorei Correr ou Morrer, achei uma história fascinante, mas me decepcionei com Prova de Fogo. Sei que você adorou o 2° assim como o 1°, mas isso, infelizmente, não aconteceu comigo. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. É mesmo uma pena que vc não tenha gostado do 2º, Gabriel... :( Eu já não fiquei tão satisfeita foi com o 3º e o 4º, mas isso é assunto pra depois... ;)

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  2. Meu Deus, todo mundo fala bem dessa distopia, e eu ainda não li! Ótima resenha, tenho que ler Maze Runner ainda esse ano!

    http://criativare-leitura.blogspot.com.br/

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  3. aaaaaaaaaaaah! que bela resenha, Milly!
    eu também curti bastante o James. não teria outra forma melhor de falar sobre o livro que dizer que os finais de capítulos são bem planejados e assim que algo é respondido, novas perguntas pairam sobre nossa cabeça!!! realmente ele foi/é um bom autor - já li "Prova de fogo" , agora só falta "A Cura mortal" mas o mértila aqui é tão trolho que comprou há bastante tempo, para que quando acabasse de ler o segundo já fosse para o terceiro e último volume, e até hoje não abriu o livro. rsrs

    bjs

    gabryel fellipe - quimeras mirabolantes

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  4. Oi Michelly!
    Nossa que resenha legal, viu! Confesso que não conhecia nada sobre essa história e ao ver o trailer no cinema também não fiquei motivada a conhecer mais. Porém os seus comentários me deixaram bem intrigada. Normalmente esse não é o tipo de história que atraí a minha atenção, mas gostei do quê de mistério que você ressaltou e fiquei interessada em compreender o sentido de tantos meninos sem memória em um lugar misterioso.

    Beijos
    Espero sua visita =)
    http://numrelicario.blogspot.com.br/

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    1. Oi Erika! Olha, o filme já é legal, mas o livro,como sempre, é muito melhor!

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  5. Cada vez que eu leio uma resenha dessa série, eu fico ainda mais curiosa. Espero de verdade que eu consiga ler todos os livros porque eles parecem ser ótimos! Beijos.

    http://livro-apaixonado.blogspot.com.br/

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  6. Bem vinda ao clube Fedelha! \o/
    Maze Runner é viciante *-*

    Acho que só caras de mértila, que vivem em um monte de plong não gostam dessa série UHASHUAS'

    maisumleitor.wordpress.com

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