12.2.15

Ganhei um Nobel: Mo Yan

Prêmio Nobel de Literatura de 2012: Mo Yan, "que com realismo alucinatório funde contos populares, história e contemporaneidade".


Guan Moye nasceu na China, em 17 de fevereiro de 1955, sendo hoje conhecido como Mo Yan, que significa “não fale”, apelido ligado diretamente à época das revoluções de 50, quando seus pais o aconselhavam a não dizer tudo o que pensava em público. Não raro encontramos descrições dele como um dos autores mais famosos, banidos e pirateados da China.

Nasceu numa família de agricultores e largou a escola durante a Revolução Cultural para trabalhar numa fábrica petrolífera. Aos 20 anos de idade entrou no Exército Popular de Libertação, onde atuou como instrutor político.

O caminho de Mo Yan na literatura começou de forma um tanto confusa, quando ele escrevia de contos até ensaios. Seu primeiro livro, publicado em 1981, foi completamente influenciado pelo regime político da época. Contudo, no decorrer dos anos, o chinês foi encontrando seu caminho no realismo mágico, combinando aspectos contemporâneos com as tradições chinesas.

Seu grande sucesso, Red Sorghum, foi publicado em 1987 e adaptado para o cinema em 1988, ganhando, inclusive, o Urso de Ouro do Festival Internacional de Berlim. Entre outras obras do autor estão seu último trabalho, Frog, que fala sobre os abortos forçados na China em prol do duro controle de natalidade imposto no país; e a polêmica obra chamada em Portugal de Grandes Peitos, Ancas Largas, proibido na China graças a seu teor sexual.

Além do Nobel em 2012, Mo Yan também foi homenageado com diversos prêmios, entre eles o Prêmio Newman de Literatura Chinesa e o Prêmio Mao Dun. Também foi eleito vice-presidente da Associação dos Escritores da China e respondeu às acusações sobre sua falta de independência com o seguinte comentário: "Um escritor deve exprimir crítica e indignação perante o lado negro da sociedade e a fealdade da natureza humana, mas não devemos recorrer a formas de expressão uniformes. Alguns poderão querer gritar nas ruas, mas devemos tolerar aqueles que se escondem nos seus quartos e usam a literatura para transmitir as suas opiniões".

O que mais me chamou a atenção em Mo Yan foi sua característica de fundir o real com o extraordinário, sendo esse o motivo pelo qual tornou-se o ganhador do Nobel que mais tenho curiosidade em ler. Espero que essa breve apresentação tenha despertado a curiosidade de vocês também!
 

2 comentários:

  1. Não conhecia o autor, mas achei um máximo.
    Nobel não é para qualquer um.
    MY eu sabia como era, mas não sabia o sentido literal da palavra

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de fevereiro. Você escolhe o livro que quer ganhar!

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...