21.3.15

Ganhei um Nobel: Herta Müller

Prêmio Nobel de Literatura 2009: Herta Muller "que, com a densidade da sua poesia e franqueza da prosa, retrata o universo dos desapossados”.


Herta Müller nasceu na Romênia, em 17 de agosto de 1953, porém era parte de uma família tradicionalmente alemã. Sua mãe era uma das 100.000 pessoas deportadas e enviadas para trabalhos forçados na União Soviética, tendo sido libertada em 1950. Seu pai era um ex-membro da Wafen SS durante a 2ª Guerra, posteriormente ganhando a vida como motorista de caminhão. Seu avô havia sido um rico fazendeiro, porém teve sua propriedade confiscada pelo regime comunista.

Mesmo morando na Romênia, Müller só aprendeu romeno durante a escola primária, sendo que antes sua língua era apenas o alemão. Depois do segundo grau, ela passou a cursar Estudos Alemães e Literatura Romena na Universidade de Timisoara.

Em 1976, a escritora começou a trabalhar como tradutora numa fábrica de engenharia, porém acabou sendo demitida, em 1979, por ter se recusado a colaborar com a Securitate, serviço secreto do regime comunista. Depois disso, ela passou a trabalhar dando aula particular de alemão.

Seu primeiro livro foi publicado na Romênia, em alemão, em 1982, porém foi censurado pelo Estado. Depois de ter a permissão para emigrar para a Alemanha Ocidental negada, em 1985, em 1987 ela e seu marido, o escritor Richard Wagner, conseguiram o visto e mudaram-se para Berlim, onde vivem até hoje. Lá, trabalhou em Universidades e conseguiu se estabelecer internacionalmente como escritora, inclusive tornando-se membro da Academia Alemã de Língua e Literatura.

Müller sempre foi atenta às questões políticas, tendo, inclusive, chegado a endereçar uma carta aberta ao presidente do Instituto Cultural Romeno, criticando o apoio dado pela instituição a ex-informantes da Securitate. Seus trabalhos refletem essa preocupação, tendo como característica marcante a descrição dos efeitos da violência, crueldade e terror, a partir do ponto de vista de minorias. Contudo, ela se destaca verdadeiramente pelos relatos acerca das duríssimas condições de vida na Romênia sob o regime político comunista de Nicolae Ceausescu.

Um de seus livros de maior sucesso é Atemschaukel, o qual foi inspirado tanto na vida do poeta Oskar Pastior, quanto na de sua própria mãe. Outra obra de destaque é A Terra das Ameixas Verdes, a qual Müller escreveu depois que dois amigos morreram. A autora levantou fortes suspeitas de que tenha havido o envolvimento do serviço secreto comunista em tais mortes.

No Brasil, já foram lançadas 9 obras da autora, entre elas as celebradas Tudo o que Tenho Levo Comigo e O Homem é um Grande Faisão no Mundo.

Além do Nobel, em 2009, Herta foi ganhadora de vários prêmios, sendo alguns dos mais importantes o Prêmio Kleist, o Prêmio Aristeion, o IMPAC Dublin Literary Award Internacional e o Prêmio de Direitos Humanos Franz Werfel.

Com uma história de vida tão rica, é inegável a bagagem que a autora pode trazer para seus livros, né?! Ainda não li nada dela, mas fiquei com vontade de conhecer alguma de suas obras, sobretudo seus poemas. Assim que eu tiver um contato mais próximo com ela, pode deixar que conto pra vocês!
 

4 comentários:

  1. Eu adoro essa colune ado teu blog, porque eu primeiramente, eu amo biografias, e depois porque eu acaba conhecendo muitos autores incríveis. Não conhecia a Herta, e gostei de sua história, me interessei em ler algo dela, eu preciso ler mais clássicos, já faz um tempo desde o último. Beijos
    Desfocando Ideias

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  2. Estou precisando ler bons livros. Não conhecia Herta, mas pelo visto, os livros da autora devem ter uma bagagem cultural imensa.

    Abraços! Datilografando

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