28.3.15

Resenha: O Cavaleiro Fantasma

O Cavaleiro Fantasma - Cornelia Funke
176 páginas


“Eu era o conde de Monte Cristo, que voltaria da terrível ilha-presídio para se vingar de todos aqueles que o haviam mandado para lá. Eu era Napoleão, exilado em Santa Helena para morrer solitário. Harry sob a escada dos Dursleys.”


O Cavaleiro Fantasma já começou me conquistando pela capa. O desenho prateado realçou no fundo azul e deu o recado sobre o que seria a história. Além disso, ele foi escrito por Cornelia Funke, autora pela qual ando perdidamente apaixonada desde que terminei Sombras Vivas, segundo volume da série Reckless. Sendo assim, mesmo sabendo que Cavaleiro teria uma narrativa um pouco mais juvenil, resolvi mergulhar fundo nessa história.

Jon Withcroft é um garoto de onze anos que morre de ciúmes do namorado de sua mãe e começa o livro sendo mandado para um internato em Salisbury. Inconformado, Jon acredita piamente que a culpa por ele ter sido renegado – sente o drama – é do Barba, apelido nada carinhoso que ele deu pra seu futuro padrasto.
Para piorar as coisas, certa noite o garoto vê quatro fantasmas através da janela de seu quarto na casa dos Popplewell, seus tutores, mas ao perceber que seus colegas de quarto, Angus e Stu, não enxergam o mesmo que ele, Jon decide esquecer o acontecido e acredita que a culpa é de suas emoções à flor da pele.
Porém, ele descobre que não foi uma apenas uma visão quando os mesmos fantasmas o perseguem, revelando suas intenções sanguinárias de matar até o último dos Hartgill. Para o azar de Jon, Hartgill é o nome de solteira de sua mãe, o que o torna um dos alvos dos espíritos. E é aí que Jon descobre que o Barba talvez não seja o maior de seus problemas...

Como alguma coisa tinha que dar certo pro nosso protagonista, ele conhece Ella, uma garota que não só acredita em fantasmas como também os vê. Eis que, aconselhados pela vó da menina – que é um tipo de especialista em fantasmas –, ambos vão atrás do espírito de William Longspee para pedir ajuda.
Em vida, Longspee jurou ajudar os inocentes até depois de sua morte, tendo, assim, condenado seu espírito a vagar por aí eternamente. Dessa forma, ele não tem outra opção senão dar uma mãozinha à Jon, mesmo preferindo mil vezes ir para seu túmulo tirar um cochilo de alguns séculos. Em contrapartida à ajuda dada pelo cavaleiro fantasma, o garoto promete resgatar seu coração e enterrá-lo junto ao túmulo de sua esposa, para que assim ele possa, finalmente, descansar em paz.
À partir daí, William, Ella e Jon unem-se para derrotar os quatro fantasmas antes que esses acabem com Jon primeiro.

Eu estava com saudades da narrativa de Cornelia, e apesar de sua escrita estar diferente dos outros livros dela que já li, continua trazendo elementos essenciais para uma leitura gostosa e que nos prende na história. É certo que ela simplificou algumas coisas, como algumas descrições de cenas, por exemplo, mas isso se deve ao fato de O Cavaleiro Fantasma ser um livro infantojuvenil, o que significa que requer mais tato para não jogar informação demais transformando o texto em algo muito denso para a faixa etária alvo.
Esse é um ótimo livro para um leitor em desenvolvimento, mas também é muito divertido para quem já está craque na leitura. Basta deixar os preconceitos de lado e entender que nem todo livro precisa ser um Hamlet da vida...

Algo diferente e positivo foi o fato de Jon contar sua história como se ele estivesse no futuro narrando seu passado. Por exemplo, às vezes ele se referia a alguém e dizia que naquela época tal pessoa já era assim, ou que tal pessoa hoje é diferente. Achei bacana.
Também é positivo o fato de Cornelia usar personagens reais em sua trama, o que traz uma brisa histórica muito bem vinda pra narrativa.
No final do livro há um glossário mostrando o que era real de tudo o que foi citado durante a narrativa, indo desde personagens até à ambientação. A lenda sobre a maldição do sobrenome Hartgill, por exemplo, existe de verdade, e foi uma grata surpresa descobrir isso e outras curiosidades. 

A construção dos personagens foi bastante satisfatória. Jon representa o garoto que, já órfão de pai, teme perder a mãe para outro homem. Daí o ciúme que sente do Barba, mostrando que, apesar de esperto, ele é apenas um garotinho que precisa de carinho e atenção. Ella é excêntrica, mas sem exageros, e também cheia de surpresas, o que torna praticamente impossível não criar, no mínimo, uma afeição por ela. William Longspee deu nome à história e fez justiça a isso emprestando seus ensinamentos não só à Jon e Ella, mas também aos leitores, principalmente àqueles que estão em formação.

Apesar de ter gostado muito – muito mesmo – do livro, optei por 3 corujinhas porque ele ficou um pouco abaixo dos outros livros da autora que já li. Sei que esse é mais infantil, mas a comparação é inevitável, né?!
De qualquer forma, O Cavaleiro Fantasma foi mais uma aventura deliciosa que tive o prazer de conhecer, além de vir em boa hora, num momento em que o que eu realmente precisava era um livro leve e inocente. Se é isso o que você anda procurando, acompanhe Jon e tenha uma ótima leitura!

10 comentários:

  1. Eu sou apaixonada por livros infanto-juvenis, e vira e mexe, estou lendo algum. Quero deixar uma coleção montada para meu filho e, caso não seja possível, para meus sobrinhos. Por isso vou marcar na lista de desejos.
    Beijos
    aculpaedosleitores.com

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    1. Eu tb tenho esses planos, Bia! Já fico imaginando o quartinho do meu futuro filho cheeeio de livrinhos!

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  2. Olá Michelly
    De cara já gostei do título do livro, sem falar que adoro literatura infanto juvenil. É bem como você disse, uma leitura leve e descontraída. Falando em livros juvenis "O Carrasco que era Santo" e "Meu pé de laranja lima" são os meus favoritos!!!

    beijos

    Livros, Rock N' Roll e Outros Vícios

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    1. Nunca li nenhum dos dois, apesar de Meu Pé de Laranja Lima ser tão famoso!

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  3. Oi Mi...
    Eu ouço falar bem do livro. Eu tenho vontade de ler, mas não sabia que tinha essa pegada mais infantil. Não tenho sorte com livro assim.
    Quem sabe eu ainda leia então.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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    1. Mas ele não é tão infantil assim, Le! Ele só não é daqueles livros super complexos e adultos,sacou?! ;)

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  4. Oi, tudo bem?
    Faz anos que não leio um livro de fantasma (não é muito meu estilo), mas achei a premissa desse legal. O que chamou minha atenção, é justamente o tom mais infantil da história, rs, então acho que talvez eu até gostasse mais que você, rs
    beijos
    meumundinhoficticio.blogspot.com.br

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    1. Ele é divertido e se vc tá nessa vibe de livros mais infantis, vai adorar!

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  5. Oie, tudo bom?
    Nunca li nada da autora, mas sei que ela é adorada por vários leitores. Eu tenho lido muitos livros infanto-juvenis e acredito que esse livro seja uma ótima opção dentro do gênero.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  6. Eu gostei do livro. Achei muito engraçado o Jon contando ao longo da estória como ele odiava o Barba e as diversas formas que gostaria de ver o Barba sofrer. Achei muito engraçado mesmo! E eu gostei muito do Longspee!
    Eu já leio Cornelia Funke há muito tempo, tirando esse livro e a série Reckless, eu já li Mundo de Tinta, e de todos esses achei O cavaleiro fantasma o melhor, pois a narrativa é detalha, mas não com um nível de detalhamento exaustivo como a trilogia Mundo de Tinta. E os personagens, principalmente Jon e Longspee, me conquistaram demais, personagens simples, mas muito bem escrito.

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