16.4.15

Ganhei um Nobel: Doris Lessing

Prêmio Nobel de Literatura 2007: Doris Lessing por ser "centralizadora da experiência feminina que, com ceticismo, ardor e poder visionário sujeitou uma civilização dividia ao escrutínio".
 

Doris Lessing, nascida Doris May Tayler, no dia 10 de novembro de 1919, em Kermanshah, parte do então Reino Persa,onde viveu até completar seu 6º ano de vida. Seus pais eram Alfred Tayler, um capitão que perdeu a perna durante a Grande Guerra, e Emily Maude, a enfermeira que cuidou dele durante sua recuperação.

Em 1925, a família mudou-se para uma fazenda na Rodésia do Sul, local que hoje é o Zimbabwe, onde pretendiam cultivar milho e tabaco. Porém, a empreitada como agricultores não teve resultados tão positivos quanto eles esperavam, o que os levou a uma vida simples.

Nesse tempo, Doris estudou numa escola confessional só para garotas, chamada Escola Secundária do Convento Dominicano de Salisbúria, dirigida por irmãs dominicanas. Insatisfeita com os métodos das freiras e vivendo em constante conflito com a mãe, Doris abandonou a escola aos 13 anos, tornando-se autodidata em toda a sua formação posterior. Aos 15 anos saiu de casa e passou a trabalhar como ajudante de ama, cuidando de crianças. Foi nessa época que começou a ler materiais sobre política e sociologia, e começou a escrever.

Em 1939 casou-se com Frank Charles Wisdom, com quem teve dois filhos. Porém a união chegou ao fim em 1943, sendo que a guarda das crianças ficou com o pai.

Após o seu divórcio, Doris passou a participar de um grupo de leitores de inspiração comunista chamado Left Book Club, onde acabou por encontrar seu segundo marido, o alemão Gottfried Lessing. Eles se casaram em 1945 e tiveram um filho, a quem chamaram de Peter Lessing. Contudo, esse casamento também chegou ao fim,em 1949. Mais tarde, Gottfried foi nomeado embaixador da República Democrática Alemã na Uganda, onde foi assassinado em 1979 durante a rebelião contra Idi Amin Dada.

Depois de seu segundo divórcio, Doris fixou residência em Londres juntamente com o filho Peter. É lá que a autora publica o seu primeiro romance, The Grass Is Singing. Mas a obra que a lançaria como escritora consagrada, e que acabou sendo seu livro mais famoso, foi The Golden Notebook, publicado em 1962.

Como era uma ativista ferrenha na marcha contra armas nucleares e contra o regime de apartheid na África do Sul, Doris Lessing foi banida tanto daquele país quanto da Rodésia durante muitos anos.
 
A fim de provar as dificuldades enfrentadas por novos autores que queiram ver os seus livros editados, tentou publicar duas novelas sob o pseudônimo de Jane Somers. Tais obras foram rejeitadas pelo seu editor britânico, mas acabaram sendo aceitas por outro, Michael Joseph, e pela editora americana Alfred A. Knopf. A obra The Diary of a Good Neighbour foi lançada em 1983, e If the Old Could em 1984. Pouco depois esses livros foram compilados, dando origem a um volume único com o título de The Diaries of Jane Somers: The Diary of a Good Neighbor and If the Old Could, já constando o nome verdadeiro de Doris Lessing como autora.

Doris recebeu a ordem honorífica da Order of the Companions of Honour pelo seu importante serviço à nação. Foi também homenageada com a Companion of Literature pela Royal Society of Literature. Em 11 de outubro de 2007, Doris Lessing foi agraciada com o Nobel de Literatura, sendo a pessoa mais idosa a receber o prêmio de literatura e o terceiro laureado mais idoso em qualquer das categorias.
 
Doris faleceu na sua casa de Londres em 17 de novembro de 2013.

Entre os temas abordados pela autora em seus livros estão o exame das tensões inter-raciais, incluindo a política racial, a violência contra as crianças, os movimentos feministas e a exploração do espaço exterior. Em geral, suas criações podem ser divididas em três fases distintas, embora relacionem-se entre si. A primeira delas vai de 1944 a 1956 e abarca temas de inspiração comunista, caracterizando um período em que as temáticas sociais, encaradas de forma radical e sem compromisso, dominavam a sua produção literária. A segunda fase foi a de temas ligados à análise psicológica, indo de 1956 a 1969, e apresentando textos intimistas e de carácter quase autobiográfico. Por fim, a terceira fase abarcando o período de 1970 a 2000, sendo esta dedicada a temas de inspiração sufista, explorados num ambiente de ficção científica como a série Canopus, por exemplo.
 
Fiquei surpresa em ver uma autora que admitia a ficção científica como uma de suas bases ser agraciada com o prêmio mais importante da literatura. Às vezes tenho a impressão de que a ficção, seja ela qual for, não é valorizada como deveria... Isso me estimulou ainda mais a procurar alguma obra de Doris, que além de parecer ter ótimos textos, teve uma vida muito interessante.

No próximo Ganhei um Nobel, vocês saberão quem foi o laureado com o prêmio em 2006. Até lá!

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