15.5.15

Resenha: O Clã dos Quatro Guerreiros


O Clã dos Quatro Guerreiros - Diego Martins Ribeiro
392 páginas


"Tudo pareceu acontecer em câmera lenta. Henrique sentiu que o carro começava a capotar. Ouviu Débora soltar um grito, que soou mais longo e distante do que deveria. Lembrou-se de Beatriz, perguntando a si mesmo se ela estaria com o cinto dessa vez. Não entendia como tantos pensamentos poderiam se passar em sua mente em um espaço tão curto de tempo. Havia alguma coisa muito estranha acontecendo ali."


Muitas vezes acontece de valorizarmos mais a literatura estrangeira em detrimento da nacional. Não é por mal, não é por preconceito, é apenas uma questão cultural mesmo. Porém, no ano passado tomei a decisão de prestigiar mais nossos autores, e tenho conhecido obras incríveis escritas por aqui. O Clã dos Quatro Guerreiros é uma delas, apresentando uma fantasia bem construída, a qual não deixa nada a desejar à outras obras de autores estrangeiros que já li.

A história gira em torno de quatro personagens principais, os quatro guerreiros. Gabriel é um rapaz tranquilo, que foi contra os ideais de seu pai para seguir seu próprio caminho profissional. Isso acabou gerando uma tensão em casa, deixando o clima pouco amigável entre eles. Beatriz e Henrique são irmãos, e também passam por problemas em casa. Ela é impulsiva e extrovertida, ele é cuidadoso e introspectivo. Débora, amiga de Beatriz, é uma garota pacata que não gosta de sair do lugar comum.
Numa noite que tinha tudo pra ser como qualquer outra, Gabriel estava levando os outros três de carona para a cidade vizinha, quando uma esfera de luz no meio da pista os levou para um lugar completamente desconhecido.
Sem saber o que estava acontecendo, ou ao menos aonde estavam, os quatro jovens partiram numa busca por respostas e descobriram que o lugar se chamava Enoua. Agora eles precisam encontrar uma forma de voltar pra casa, mesmo que pra isso eles precisem colocar suas vidas em risco.

Como é meu costume, sempre tento resumir a história do livro no início das resenhas para que os leitores se situem. Só depois parto para meu ponto de vista. Porém, quando se trata de uma fantasia, tenho muita dificuldade de resumir os fatos, por medo de dar spoilers. Por isso que, às vezes, o resumo fica até meio incompleto, mas eu prefiro isso a revelar segredos da trama.
Com O Clã dos Quatro Guerreiros aconteceu isso, já que qualquer informação a mais que eu desse, poderia ser considerada informação demais. Sendo assim, preferi fazer um resumo mais sucinto e partir logo para as minhas impressões, que já adianto, foram as melhores!

Diego Martins Ribeiro escreveu um livro com começo, meio e fim, mesmo sendo o primeiro de uma série. Pode parecer o mínimo exigir que um livro tenha começo, meio e fim, mas nós sabemos que não são todos os autores que conseguem concatenar os fatos com competência suficiente para que tudo fique bem amarrado. Por isso considero isso um dos pontos positivos da obra.
A construção dos personagens também merece elogios, visto que todos têm suas particularidades muito bem marcadas, e suas atitudes são condizentes do começo ao fim. Claro que alguns deles me irritaram. Alguns não... Na verdade, só Gabriel não me irritou, pois era o mais sensato de todos e ao mesmo tempo sabia quando devia ou não se aventurar. Já Beatriz não tem esse discernimento. Ela se joga em qualquer situação, mesmo que a situação seja pular de um penhasco. Henrique, por sua vez, é carrancudo demais, não abre aquela cara por nada! Deus me livre de gente assim... Débora é a pastel da turma. Medrosa, ela me pareceu até mesmo um pouco pirracenta, pois não aceitava o fato de estar num lugar estranho. Isso não só a colocava em risco, como também a todos os outros.
De qualquer forma, mesmo me irritando com eles, reconheço que Diego fez um bom trabalho em suas criações. Talvez o fato de me irritarem seja justamente a prova de que o autor fez um bom trabalho, pois eu acho livros que não me despertam nenhum tipo de emoção extremamente frustrantes.
Durante toda a narrativa os personagens são colocados à prova das formas mais variadas possíveis, inclusive utilizando de elementos de ficção científica para isso. A forma como fantasia e tecnologia se cruzam é discreta, mas muito bem feita. Já vi autores bem mais experientes tentarem fazer isso e fracassarem.

O livro tinha tudo para receber 5 corujinhas, mas vou explicar porque decidi por dar 4.
Alguns personagens que apareceram tiveram uma participação muito pequena para o que prometiam, como é o caso dos Espectros. Confesso que esperava encontrá-los novamente, e acho que eles foram, de certa forma, desperdiçados. Sei que é uma série e que é possível que eles apareçam depois, então me comprometo a me desculpar caso os próximos volumes resolvam esse problema. Por hora, achei que ficou faltando esse detalhe.
Outro ponto que contribui pela retirada da última corujinha foi o final. Eu gostei da ideia, sobretudo porque às vezes falta uma explicação mais profunda a respeito da existência de mundos paralelos nas fantasias, o que não aconteceu com O Clã dos Quatro Guerreiros. Porém, achei tal explicação um tanto confusa, pelo menos pra mim... Mas que fique claro, isso não é nada que desabone o final ou estrague o livro, longe disso!

No final das contas esse é mais um nacional que ganhou um espacinho no meu coração, é mais uma parceria com autor que muito me orgulha e mais um livro que indico demais, principalmente àqueles que são fãs da literatura fantástica. Espero que sejam surpreendidos e, assim como eu, percebam cada dia mais o valor da literatura nacional, competente ao ponto de nos apresentar obras como a escrita por Diego.

6 comentários:

  1. Olha sinceramente tenho que confessar que gostei bastante de tudo que você falou sobre o livro.
    A pouco tempo eu comprei ele por conta de uma resenha que eu li e fiquei bastante curiosa por conta da aventura
    e fantasia e tudo mais. Espero gostar bastante. Mas irei ler na hora e no momento certo para não estragar a surpresa. Mas mesmo assim achei que você foi bastante objetiva e gostei de saber um pouco mais sobre seu ponto de vista. É sempre bom mesmo que todos os personagens sejam bem construidos para que a gente possa ter um envolvimento melhor na história, porque quando não é assim desanima mesmo. Já passei por isso. Mas espero poder gostar. Vamos ver!

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/05/resenha-feita-de-letra-e-musica.html

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  2. Que capa *----*

    maisumleitor.wordpress.com

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  3. Eu confesso que não tenho muitos livros de autores brasileiros, e nem é preconceito - é por não conhecer muitos livros/autores dos gêneros que eu gosto mais mesmo -, por isso adoro posts assim, é meio que o único jeito de eu realmente ter indicações de livros brasileiros. xD.Tenho um amigo que também têm priorizado literatura brasileira e tem me dado ótimas indicações de literatura fantástica. ♥ Mesmo com alguns personagens que parecem mesmo irritantes, a história parece ótima e já marquei o nome do livro pra colocar na listinha depois, adorei a resenha!

    Beijos :D
    lui-lilymon.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Pode ler pq esse é muito bom, Luísa! Com esse meu projeto de ler mais nacionais estou descobrindo uns livros incríveis!

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