5.6.15

Resenha: A Herdeira


A Herdeira - Kiera Cass
392 páginas


"Então ele me contou várias histórias vagas sobre uma garota tão dócil que ele mal podia suportá-la e também sobre outra que tentava manipular cada etapa do processo. Eu não conhecia muitos nomes ou detalhes, e nem fazia questão. Nunca gostei de imaginar que meu pai poderia ter se apaixonado por outra garota que não a minha mãe"


Antes de qualquer coisa preciso avisar que essa resenha terá spoilers dos volumes anteriores. Não muitos, mas o maior de todos, sobre o final de A Escolha. Porém, o próprio título já não é um baita de um spoiler?

Já se passaram vinte anos depois do final feliz de America e Maxon, e dessa união nasceu Eadlyn, 7 minutos antes de seu irmão, Ahren, sendo por isso a futura rainha de Illéa.
Mas, por enquanto, o rei é Maxon, que governa seu povo com muito mais carinho e cuidado que seu falecido pai, tendo em America sua base. Mas com as constantes revoluções que estão acontecendo, eles acabam tomando uma drástica decisão: realizar uma Seleção para escolher um marido para Eadlyn, tendo por fim dar uma distração para o povo e acalmar os ânimos.
Quem não gosta nada da ideia é a princesa, cujo feminismo e auto-suficiência a impedem de ter qualquer relação mais próxima com pessoas fora de sua família. Contudo, a Seleção tem início e agora Eadlyn terá que lutar muito para cumprir seu objetivo de afastar todos os candidatos e governar sozinha, como sempre quis.

Basta dar uma lida nas resenhas que fiz dos três primeiros livros da agora série A Seleção para vocês perceberem que eu gostei, e muito, deles. Acho a história bobinha sim, considero mais um romance do que uma distopia, mas gostei. Acontece que eu sou da opinião de que a gente tem que saber a hora de parar. Falei isso quando fiquei sabendo que Cassandra Clare ia transformar a trilogia Os Intrumentos Mortais em série, e digo agora com relação à Kiera Cass e sua Seleção.
A Herdeira me prendeu do começo ao fim, graças à escrita da autora que é muito agradável, soando quase como uma conversa entre amigas. Porém isso não foi o suficiente para eu achar o livro relevante. É tipo assim: gostei de ler, mas se ele não existisse, não faria falta.
Tive a impressão de que a história se repetiu apenas invertendo os papéis. Agora, no lugar de um garoto selecionando e as garotas sendo escolhidas, temos a garota selecionando e os garotos sendo escolhidos. Mas de resto é tudo igual: a revolução de pano de fundo (beeeem fundo mesmo) e a protagonista insuportável.

Pois é, eu achei a America muito chata, mas a Eadlyn, meu Deus... Além de chata, ela é extremamente arrogante, mimada e egoísta. Kiera tá de parabéns no dom de criar protagonistas irritantes. Pra vocês terem uma ideia, ela repete durante boa parte do texto a seguinte frase: "Sou Eadlyn Schreave. Nenhuma pessoa é tão poderosa quanto eu". Ah, ow... Desce daí, né?!
Eu só posso acreditar que a intenção da autora era fazer os leitores sentirem raiva da protagonista, porque se essa personalidade escrota dela foi sem querer, Kiera perdeu totalmente a noção.

Mas em uma coisa eu concordo com a princesinha mimada: seus pais não poderiam usá-la para distrair o povo. Aliás, Maxon e America me decepcionaram demais acatando a tática do pão e circo. Ao invés de procurar soluções práticas, como construir casas para os desabrigados ou criar oportunidades de emprego, por exemplo, eles inventam um reality show para enrolar todo mundo e ganhar tempo. Achei amador, coisa de quem não sabe o que fazer com o poder que tem.

Como o foco fica mais em Eadlyn, os outros personagens tem aparições mais esporádicas, mas não menos importantes. Aí agora é hora de elogiar um pouco o livro, já que até agora eu só reclamei.
Kile é meu preferido na Seleção, e apesar de ser a escolha óbvia, espero que ele fique com Eadlyn - tanto porque aquela criatura precisa de alguém sensato do seu lado. Ele tem um lado socialista muito bacana, o qual me identifico. Apesar de ter sido criado no palácio, nunca se deslumbrou nem se achou parte da realeza. Tem os pés no chão, é educado e esperto. Na verdade, acho que torço por ele mais pelo bem do povo do que pela vida amorosa da futura rainha, já que ele acabará sendo um tipo de conselheiro de Eadlyn, caso seja o escolhido.
Também gostei demais de Ahren, que não herdou a lerdeza daquela família. Rei pacato, rainha perdida, futura rainha arrogante... Eu faria o mesmo que ele no final, por isso não julgo.
Esses dois personagens também são os únicos que jogam umas verdades na cara da protagonista, e só por isso já merecem destaque em qualquer resenha que se faça sobre A Herdeira.

Sobre a America nem compensa falar porque aquela ali tá mais pra falecida rainha Amberly do que pra ruiva mimizenta que todos conhecemos, e que eu até aprendi a gostar um pouquinho no final de A Escolha... Descaracterização total. Só que, ao contrário de grande parte das opiniões que vi por aí, eu não achei ruim o pouco espaço destinado à ela e Maxon. Afinal de contas todos sabíamos que essa não era mais sua história, e sim de sua filha, ora bolas!

Contudo, apesar de tantas críticas, essa danada da Kiera conseguiu fazer um livro bem fraco mas que me deixou curiosa pelo próximo. Ponto pra escrita fluida da autora, tão cativante quanto ela. Só por isso dei 3 corujinhas ao invés das 2 que planejava.
Ah! E na aba de trás tem um marcador que a gente pode recortar, e é lindo!
Vamos ver se a partir do próximo ela consegue dar um rumo inesperado pra história. Pelo menos se considerarmos o desfecho desse livro, já dá pra imaginar muitas possibilidades dela fazer isso. Vamos lá, Kiera, nos surpreenda!

6 comentários:

  1. Tenho um problema com A Herança sem nem ter lido o livro ainda, que você até falou na resenha - no final de A Escolha tem toda aquela coisa de conversar com rebeldes e fazer planos e não sei o quê, toda uma crítica à idéia da Seleção, aí, vinte anos depois, temos outra Seleção, com a filha da dupla que se dizia tão fortemente contra a coisa toda? Em vinte anos, não conseguiram mudar isso em nada e, pior, colocam a própria filha nisso? Achei contraditório demais, pra dizer o mínimo.

    Li os três livros de A Seleção por causa da curiosidade, mas confesso que me decepcionei bastante, e só a curiosidade de saber se eu estava certa que me levou até o fim do livro, então A Herança não me atrai meeesmo, não sei se lerei. xD

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    1. Pois é, Luísa... Acho a Kiera muito fraca no lado político da coisa, por isso nem considero essa como uma série distópica. Pra mim é mais um romance mesmo...

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  2. Da América eu até gostava, mas a Eadlyn, senhoooooor! Ela é muito irritante e burra, não serve para ser rainha. Enfim, não gostei muito de A Herdeira.

    maisumleitor.wordpress.com

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  3. A Eadlyn é totalmente diferente da America! Me deu mt nervos kkkkkkkkkkkk mas estou ansiosa pela continuação, quero ver o que a Kiera vai modificar nesse enredo pra história engrenar de novo! :)

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    1. Tb estou curiosa pra ver no que isso vai dar...

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