22.7.15

Ganhei um Nobel: Imre Kertész

Nobel de Literatura 2002: Imre Kertész pela "escrita que confirma a frágil experiência do indivíduo face a arbitrariedade bárbara da história”.


Imre Kertész nasceu em Budapeste, no dia 09 de novembro de 1929. Judeu, ele é um sobrevivente do holocausto.

Em 1944, aos 15 anos, Imre foi deportado primeiro para Auschwitz, depois para Buchenwald, de onde foi libertado em 1945. Assim, como não poderia deixar de ser, toda sua obra literária está calcada na experiência traumática vivida nesses campos de concentração. Ao retornar para a Hungria, trabalhou num jornal em Budapeste, Világosság, mas acabou sendo demitido em 1951 quando adotou a linha do partido comunista. 
 
A partir de 1953 começou a traduzir para o idioma húngaro vários clássicos dos filósofos Wittgenstein, Nietzche, do psicanalista Sigmund Freud e do autor Elias Canetti. Em 1960 ele começa a escrever seus próprios livros. Contudo, como suas obras iam de encontro ao regime comunista vigente na época, ele acabou sendo, de certa forma, ignorado em seu país até a queda do Muro de Berlim.

Mas apesar de seu primeiro romance, Sorstalanság (Sem destino), ter sido pouco apreciado na Hungria, ele acabou produzindo forte impacto na Alemanha, tornando-se a obra mais famosa do escritor. Durante a narrativa, Imre descreve a experiência de um rapaz de 15 anos nos campos de concentração, o que fez com que essa obra fosse considerada como quase autobiográfica, o que o autor nega dizendo que, “quando eu estou pensando em um novo romance, eu sempre penso em Auschwitz. Isso não significa, porém, que Sorstalanság é autobiográfico em qualquer sentido simples”. Sorstalanság deu origem a um filme em 2005. Os romances seguintes, A Kuolark (1988) e Kaddis a Meg nem Született Gyermekért (1990) só confirmaram suas qualidades e a força social de sua mensagem.

Dentre os prêmios recebidos por Kertész estão o Brandenburger Literaturpreis em 1995, o Leipziger Buchpreis zur Europäischen Verständigung em 1997, o Ehrenpreis der Robert-Bosch-Stiftung em 2001 e o Hans Sahl-Preis em 2002. Nesse ano ele também foi laureado com o maior prêmio que um escritor pode receber, o Nobel de Literatura. Suas obras foram traduzidas em várias línguas, incluindo alemão, espanhol, francês, Inglês, checo, russo, sueco e hebraico.

Com tanta experiência e escrevendo sobre um ambiente onde viveu, tenho certeza de que seus livros são fortes e têm muito a ensinar. Afinal de contas, ninguém ganha um Nobel atoa, né?!
 

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