24.7.15

Resenha: A Rainha Vermelha


A Rainha Vermelha - Victoria Aveyard
424 páginas


"Por toda parte da praça, todo tipo de Prateado continua vivendo sua vida extraordinária. Tem tantos deles, cada um grande, maravilhoso e poderoso e todos tão distantes do mundo que eu conheço."


Em A Rainha Vermelha conhecemos a história de Mare, uma garota de sangue vermelho que vive num mundo onde é justamente a cor do sangue o que determina sua glória ou sua miséria. E o vermelho é o lado fraco, o lado dos humanos sem poderes, meros mortais. Já aqueles que têm sangue prateado são a elite da sociedade, especiais graças aos poderes sobrenaturais que possuem.
Mare tem um amigo, também vermelho, chamado Kilorn, o qual trabalha como aprendiz em sua vila, o que o mantém fora do recrutamento para a guerra a qual todos os jovens sem ocupação são convocados ao completar 18 anos, sejam homens ou mulheres. A garota também tem outras pessoas especiais em sua vida: seus pais, uma irmã e três irmãos que estão na guerra.
Para driblar as dificuldades impostas pela dura realidade em que vive, Mare pratica pequenos furtos, se esgueirando pelas ruas da cidade e sempre trazendo o máximo que pode consigo. Mas tudo isso muda no dia em que ela conhece um misterioso jovem que, além de não puní-la por tentar roubá-lo, lhe arruma um emprego no palácio.
Apesar de esperar mudanças a partir daí, Mare não previa o tamanho delas. Num acidente durante a escolha da próxima rainha, ela descobre que possui um dom. O dom de controlar a eletricidade. Assim, mais do que depressa a família real a coloca sob seus cuidados tirânicos, revirando do avesso a vida da vermelha com poderes de prateada.

A história criada por Victoria Aveyard soou, pra mim, como uma Seleção mais sangrenta e realista, mesmo ambas histórias não tendo quase nada em comum. Acho que a cerimônia pra escolher uma noiva pro príncipe herdeiro e a vida no palácio contribuíram para essa minha impressão. Mas as coincidências ficam por aí.
Gostei de Mare logo de cara, mas com o passar do tempo a garota calejada pelas dificuldades da vida foi ficando boba e sequer questionou as atitudes de alguns personagens, mesmo elas sendo bastante suspeitas. O que eu percebi no meio do livro ela só percebeu no final, e isso me incomodou. Mare questionava algumas atitudes muito menos duvidosas enquanto nem se perguntou o porquê das decisões estranhas de um determinado personagem. A achei meio injusta, então passei a gostar menos dela de acordo com que ia passando as páginas.
Por outro lado, os outros personagens fizeram exatamente o que eu esperava deles, o que me deixou orgulhosa por perceber a sacada da narrativa bem antes do que eu acredito que a autora queria...
Entre os mais importantes estão Cal, o herdeiro cujas decisões são pautadas no que aprendeu a vida inteira, e Maven, o príncipe bondoso e questionador. Ambos possuem o poder de controlar o fogo, assim como seu pai, o rei. A rainha é uma vaca, daquelas que a gente ama odiar. Me lembrou a Cersei de Guerra dos Tronos, só que com o poder de ler e controlar mentes.

O que mais me chamou a atenção na narrativa foi seu ritmo extremamente agradável. Nem dá pra perceber quando passamos de uma cena romântica pra uma de ação, tamanha a fluidez do texto. Esse é daqueles livros que não dá vontade de largar, bem o tipo que a gente adora, né?! Eu só não sabia que seria uma série, mas achei bom pois não estava preparada pra me despedir definitivamente de certos personagens.
A rebelião também foi bem construída, começando como uma centelha até acabar numa grande explosão, literalmente. Gostei da forma que as coisas acontecem nesse núcleo, mas só pra não dizer que não reclamei de nada, tem coisas ali meio mal explicadas, tipo a rapidez com que eles se locomovem pelo país. Achei meio surreal eles conseguirem acesso a tantos lugares diferentes e superprotegidos. Mas enfim, vamos deixar isso como uma “licença distópica” e aguardar os próximos volumes.
Gostei da criatividade na criação dos poderes dos prateados, algo que os torna praticamente invencíveis. Por outro lado, a determinação de um povo oprimido que se levanta contra seus opressores mesmo sabendo que estão em desvantagem é revigorante. Eu sou idealista e até mesmo um tanto revolucionária, portanto gosto de ver as pessoas agindo em prol de melhores condições de vida, mesmo que seja na ficção. Mas isso não significa que considero os vermelhos como os mocinhos da história. Acho a causa justa, mas não concordo com todas as suas atitudes. Ou seja, não tem mocinho e vilão bem definidos, o que Victoria trouxe foi uma luta de interesses.

A Rainha Vermelha é um livro feito de clichês mas que em momento algum sucumbe a eles. No final das contas aquela mistura de ingredientes já vistos em outras obras de sucesso deu origem à uma história original, agradável e a qual mal posso esperar pela continuação. Pois então que eles se levantem, vermelhos como a aurora!
 

2 comentários:

  1. Oi Milly,
    Mais um livro que não tenho intenção de ler... a premissa dele não me chamou muito a atenção.
    Adorei sua resenha, principalmente a parte onde fala seriamente sobre os personagens e então vem um "A rainha é uma vaca" hahahaha

    Grande abraço pra ti!

    Leitor Antissocial

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