3.7.15

Resenha: Selva de Gafanhotos


Selva de Gafanhotos - Andrew Smith
352 páginas


" - Você acha que sou gay, Rob? - perguntei.
  -Não me importo se você for gay - disse Robby. - Gay é só uma palavra. Como laranja. Eu sei quem você é. Não há um rótulo para isso.
Eu acreditei nele.
  -Eu sei que não sou laranja - falei."

 
Antes de começar essa resenha preciso dizer que tenho fobia de grilos e de tudo o que lembra esse animal terrível. Não é um medinho, é um pavor que me faz preferir pular na frente de um carro do que passar perto de um ser desses na calçada. Por isso resolvi enfrentar essa fobia, daí tive a brilhante ideia de ler um livro onde alguns louva-a-deus gigantes comem pessoas.

Austin Szerba é um descendente de poloneses que vive em Ealing, Iowa. Ele tem dois grandes amores: Shannon Collins, sua namorada, e Robby Brees, seu melhor amigo. Austin passa um momento confuso da vida onde tenta descobrir se é hetero, bi ou homossexual, mas um acontecimento no mínimo estranho obriga Austin a rever suas preocupações.
Ao entrar escondido no depósito de seu patrão, Johnny McKeon, ele e Robby descobrem um verdadeiro circo de horrores. Pedaços de corpos humanos, um bebê de duas cabeças e um vidro com algo que parece ser um cérebro podre e pulsante, estão entre os itens fofos da coleção de Johnny. Só que mais alguém resolve invadir o lugar naquela noite, e são os valentões da cidade. Austin os observa sair de lá com o tal globo de vidro com a massa pulsante e vê o momento em que um dos garotos deixa o objeto cair.
Mas o que ninguém sabia era que, ao se quebrar, a Cepa de Praga (que é como a plaquinha dizia que aquilo se chamava) misturou-se ao sangue de Robby que estava derramado no chão da Selva de Gafanhotos (aí já é outra história) e deu origem à louva-a-deus de um metro e oitenta de altura, com apenas duas vontades: transar e comer.

Eu poderia contar pra vocês como os louva-a-deus nascem, mas vou deixar esses detalhes escabrosos como uma surpresa pra quando você for ler esse livro. Só te adianto uma coisa, é nojento. Muito nojento e muito maneiro.
Como eu tenho o probleminha que contei pra vocês com esse tipo de animal, confesso que fiquei meio impressionada. Mesmo depois de terminar de ler, fiquei com a imagem desses monstros na cabeça e pra mim eles são extremamente apavorantes. Contudo, talvez vocês não fiquem tão impressionados, já que essa imagem não vai afetá-los da mesma forma que a mim. De qualquer forma, achei criativo e autêntico esse tipo de vilão, e acredito que os leitores irão achar, no mínimo, interessante.
As descrições dos ataques sofridos pelos humanos da cidade são violentas, daquele tipo que voa sangue pra todo lado e nos prende na narrativa. Essas partes passaram voando pra mim, pois eu não conseguia parar de ler. Porém achei desnecessário algumas outras questões do texto. Por exemplo, Austin passa o tempo todo falando o que o faz sentir tesão, só que absolutamente tudo o deixa assim. Então chegou um momento em que eu já estava assim: "ah, tá bom Austin, eu sei que olhar o vento nas árvores te dá tesão, vamos falar alguma coisa que interessa agora?!".
Acho que o autor também perdeu muito tempo com o conflito se o personagem principal era ou não gay. De início achei o tema super válido, além da discussão sobre uma possível bissexualidade não ser uma coisa que encontramos muito por aí nos livros. Porém chegou um momento onde a história deveria andar mais depressa, mas os acontecimentos ficavam travados por páginas e páginas de um Austin descrevendo o que queria fazer com Shannon e Robby. Ele também perdeu tempo com muita história sobre os antepassados de Austin, sendo que poucas das informações passadas através dessa visita ao passado foram realmente proveitosas para o conflito central.
Isso somado fez com que, enquanto os louva-a-deus estavam tocando o terror na cidade, nós estávamos lendo sobre como o tataravô de Austin engravidou a esposa. E vamos combinar, se o livro promete um apocalipse causado por insetos gigantes, nós queremos o foco na tragédia em si, e não nas reflexões dos personagens. Lógico que um pouco de reflexão é bom e traz uma complexidade à obra, mas nesse caso acredito que houve um exagero.

Mesmo com alguns probleminhas no contexto, a escrita de Andrew é fluida. Ele trouxe elementos interessantes para o texto e construiu personagens com maestria. Os insetos são claramente os vilões, mas os seres humanos não têm a função simplista de serem os mocinhos, eles são complexos como na vida real. A reação de Shannon ao descobrir os segredos de Austin, por exemplo, foi bastante realista. O que quero dizer com isso é que gostei do texto, mas sobretudo gostei da construção dos personagens.
Minha análise final é essa: com relação à criação dos louva-a-deus através da Cepa de Praga misturada ao sangue, às cenas cheias de detalhes crueis desses monstros em ação, à descrição do interior do Silo e dos vídeos que os garotos encontram lá e à iniciativa de discutir sobre a sexualidade de um garoto que está se descobrindo, dou 5 corujinhas sem pensar. Com relação ao prolongamento dessa discussão sobre sexualidade (o que tomou espaço do conflito em si), às cenas gigantescas relembrando os antepassados de Austin e à pouca exploração das cenas dos louva-a-deus, minha nota é apenas 2 corujinhas (com muito esforço). Portanto, optei pela nota final de 3 corujinhas, o que significa que o livro é bom, mesmo tendo detalhes que poderiam ser mais do meu gosto.
Sendo assim, indico a leitura, porém faço um aviso: esperem por muito mais filosofia do que ação. Talvez, se eu soubesse disso teria aproveitado ainda mais a história.
 

6 comentários:

  1. Olá Michelly! Há quanto tempo não venho aqui... Enfim, não sabia da existência desse livro, mas pelo nome dele, acho que me arriscaria a ler sem problema algum. Nossa, eu não tenho fobia, mas não me sinto muito agradável não quando estou perto de um grilo. Só que, bem, a partir dos seus comentários, vejo que não é uma história que me agradaria muito, mas isso não significa que eliminarei as possibilidades de lê-lo, quem sabe um dia! Ótima resenha e um beijão.
    Tão doce e tão amarga.

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    1. Oi Thamirirs! Saudade de vc por aqui! :) Se vc tb não gosta muito de grilos, vai ficar com medo dos louva-a-deus criados por Andrew!

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  2. Oi, Michelly!
    confesso que o livro não me chama atenção, mas tenho um amigo que está louco, tipo, muito louco por causa desse livro.
    Não gostei da capa, mas achei interessante o fato de conter louva-a-deus gigantes que comem pessoas haha Meio louco isso :P

    Beijos!

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    1. Muito louco! hehe... Eu gostei da capa, ainda mais analisando como um todo, já que a lateral das páginas é amarela, vc já viu?!

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  3. Finalmente vi a resenha de selva dos gafanhotos, e realmente gostei!
    Juro que não tinha dado mt fé (por causa da capa kkkk) , mas eu gostei!

    Beijos!
    www.naoleia.com

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    1. Eu gostei tanto dessa capa! hehe... Acho que gosto de capas minimalistas assim...

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