31.7.15

Resenha: A Sombra da Serpente


A Sombra da Serpente - Rick Riordan
352 páginas


"No meio da parede, à altura de meus olhos, o rosto de um homem surgiu na tinta branca texturizada, como se tentasse atravessá-la. Ele tinha nariz aquilino, lábios finos e cruéis e testa grande. Apesar de ter a mesma cor da parede, parecia muito vivo. Seus olhos vazios conseguiam expressar impaciência.
- Vocês não vão salvar o rolo de papiro, boneca – avisou. – Mesmo se conseguissem, nunca o entenderiam. Precisam da minha ajuda."


Finalmente, depois de uma parada estratégica após ler os dois primeiros volumes, cheguei ao final da história dos irmãos Kane! Falando da saga de uma forma geral, confesso que esperava um pouco mais, já que a mitologia egípcia é minha preferida. Porém ao perceber que não era aquilo tudo que eu pensava, achei melhor dar um tempo antes de ler o final, e foi a melhor decisão que poderia ter tomado.

Nesse livro, Sadie e Carter começam lidando com as consequências do ressurgimento de Apófis, a serpente que ameça a vida na Terra e pretende mergulhar tudo no caos. Os poucos nomos do lado dos Kane estão sendo atacados. O deus do sol, Rá, não passa de um velho senil, muito diferente do herói que todos pensavam. Com o fim do mundo se aproximando cada dia mais, os garotos precisam descobrir uma forma de impedir o Caos, e eis que uma ideia surge: ir em busca do Livro para Derrotar Apófis, escrito por Setne, o qual pode conter um feitiço que os ajude. Só que, para isso, eles terão que contar com a cooperação do próprio Setne, que, todos sabemos, não é nada confiável...

E é assim que Riordan nos insere no último capítulo da aventura dos Kane cujo objetivo é salvar o mundo. Sua escrita é cativante, e quanto à isso nem tem discussão. Ele tem o dom de ser engraçado e de criar situações que você pensa: como ele vai sair dessa agora?!
E isso seria ótimo se as soluções do autor para seus conflitos não fossem um tanto simplistas demais... Reclamei sobre isso em Percy Jackson e reclamo novamente com a história dos Kane, pois não compreendo como alguém cria cenas tão mirabolantes e depois parece não saber o que fazer com elas, resultando em soluções rápidas e fáceis demais.
Mas enfim, mesmo com esse problema, que me parece intrínseco ao autor, A Sombra da Serpente foi meu livro preferido da trilogia. Ele mescla ação e momentos de calmaria, onde os dilemas adolescentes dos protagonistas são postos à mesa. E essas duas vertentes são muito bem dosadas durante a narrativa, o que garantiu um ritmo bom de leitura.
Esse também é o livro que traz mais informações sobre a mitologia egípcia, e talvez seja este o motivo por ser meu preferido, já que é minha mitologia preferida. Como já disse em outras resenhas de outros livros de Rick, suas histórias são praticamente aulas sobre os mitos os quais ele se propõe a escrever. Eu, pelo menos, aprendi muito mais com ele do que na escola.

Parece que o autor utilizou de uma manobra típica daqueles que têm mais de uma série fazendo sucesso, a intertextualidade entre elas. Ou seja, ele fez algumas referências à Heróis do Olimpo durante as últimas páginas de A Sombra da Serpente. Acho que agradou, mas como eu não li Heróis do Olimpo, não posso afirmar se isso aconteceu mesmo e de que forma foi feito. Mas, como considero uma informação importante sobre a obra, resolvi falar sobre isso na resenha.
Outra coisa que ficou subentendido pelos fãs do autor foi que essas duas sagas podem se cruzar em algum momento, provavelmente numa nova série. Particularmente, acho bem a cara de Rick Riordan fazer isso, mas vamos aguardar.

Infelizmente não fui arrebatada pelas Crônicas dos Kane, assim como não fui por Percy Jackson, mas achei que foi uma obra gostosa de ser lida, que me divertiu e não me causou nenhum arrependimento por ter gastado meu tempo com ela. A saga só não é aquela coisa toda que eu esperava, mas vale a pena ser lida.

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