10.7.15

Resenha: A Vida Como Ela Era


A Vida Como Ela Era - Susan Beth Pfeffer
378 páginas


"Será que as pessoas percebem o quanto a vida é preciosa? Sei que nunca percebi isso antes. Sempre havia tempo. Sempre havia um futuro."


Miranda é uma garota de 17 anos que cursa o primeiro ano do Ensino Médio e mora com sua mãe e seu irmão mais novo. Ela também tem um irmão mais velho que estuda fora. Seus pais são separados e seu pai está num relacionamento com Lisa, que recentemente descobriu estar grávida. Além deles, há uma vizinha, a sra. Nesbitt, que é muito próxima, sendo praticamente parte da família.
Tudo anda conforme o habitual em sua vida, e suas preocupações são garotos, escola e amigas. Ah, e a lua. Todos os noticiários só falam no evento que está prestes a acontecer: um asteroide irá colidir com a lua e o fenômeno poderá ser visto à olhos nus.
No dia marcado, a população corre pra fora de suas casas para assistir ao espetáculo, porém algo sai errado e o choque desloca a lua para bem mais perto da Terra do que o esperado. E com isso o planeta começa a entrar em colapso: tsunamis assolam a costa, terremotos destroem cidades inteiras e vulcões tornam a vida praticamente inviável.
Através das páginas de seu diário, Miranda vai nos contando como as coisas estão mudando em relação à vida como ela era.

Esse livro não é nada do que eu esperava. Ele é tão bom quanto, mas de uma forma totalmente diferente daquela que imaginei. Quando a gente lê a menção de que a história é para os fãs de Jogos Vorazes, somos impelidos a imaginar uma história cheia de babado, confusão e gritaria, mas não é bem isso o que encontramos na narrativa de Susan Beth Pfeffer. Muito mais que uma distopia, ele é uma história sobre sobrevivência.
Percebi 3 diferenciais em A Vida Como Ela Era. O primeiro é nos mostrar o mundo mudando desde o princípio, e não nos entregar uma realidade já pronta como nas outras distopias. Foi muito interessante observar as diferentes reações humanas diante da tragédia, a incerteza gerada pela falta de informação, o medo e o instinto de sobrevivência de cada um aflorando.
O segundo diferencial foi a forma com que a narrativa se apresentou: em forma de diário. É certo que esse tipo de texto restringe as informações, já que só conhecemos o ponde de vista de Miranda, porém acho que coube muito bem para nos passar o dia a dia depois de uma tragédia. Em outras palavras, trouxe mais realidade à história.
Por fim, o terceiro diferencial foi o ritmo da própria narrativa. Não há guerras, nem governos opressores, nem muita agitação. Na verdade somente algumas consequências da aproximação da lua atingem a família de Miranda, enquanto outras nós só ficamos sabendo através de notícias que chegam até eles, mas isso já foi o suficiente para me deixar sedenta pela próxima página, e pela próxima, e pela próxima... Portanto, não espere um livro de ação desenfreada, pois esse não é assim. Ele traz, sim, momentos mais ágeis e tensos, que quebram o marasmo no momento certo, mas a graça dessa história é a angústia e a aflição que sentimos, como se estivéssemos em casa com Miranda, ficando sem mantimentos, sem aquecimento e sem esperança de sobreviver.

Mal posso esperar para que o próximo volume seja lançado no Brasil! Sei que essa frase é um dos maiores clichês que encontramos em resenhas por aí, mas é justamente isso o que quero dizer, então vocês não importam de eu usá-la, né?! E tomara que ele nos convença definitivamente de que a vida jamais será novamente como ela era.

4 comentários:

  1. Oi, Michelly! Eu não conhecia o livro, mas a sua resenha me deixou muito curiosa. Espero poder lê-lo em breve. Beijos!

    http://livro-apaixonado.blogspot.com.br/

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  2. Olá, Michelly.
    Eu tenho esse livro, mas ainda não comecei a ler. Pelo visto, estou perdendo bastante em ainda não ter começado.
    Adorei isso de mostrar as catástrofes que mudaram o mundo desde o começo. Isso dá mais profundidade à obra.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de julho. Serão dois vencedores.

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    Respostas
    1. Pois é, na maioria das vezes a gente já pega o negócio andando, né?!

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