26.8.15

Listas: nacionais polêmicos

Quem não gosta de uma boa polêmica? Eu, pelo menos, acredito que toda discussão levada de forma respeitosa e organizada pode render bons frutos, afinal é uma delícia ver o povo pensando criticamente – com bom senso, claro. E é óbvio que os livros, sendo instrumentos capazes de desenvolver o raciocínio, teriam sua cota de polêmica por aí. Mas você sabe quais foram as obras que despertaram essas discussões aqui no Brasil? Não? Pois eu conto algumas pra vocês...

1. Caçadas de Pedrinho, Monteiro Lobato


Quem diria que um livro infantil poderia ser alvo de polêmica... E foi exatamente isso o que aconteceu com Caçadas de Pedrinho, obra de Monteiro Lobato publicada em 1933. Segundo o Conselho Nacional de Educação, já em 2010, sugeriu ao MEC a proibição do livro em bibliotecas públicas, alegando que o texto é racista. Algumas partes que justificariam tal acusação são: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão” e “Não vai escapar ninguém - nem Tia Nastácia, que tem carne preta”. No final das contas, após muita discussão e até briga na justiça, o livro continua sendo distribuído nas escolas.

2. Capitães da Areia, Jorge Amado


A polêmica desse livro reside em assuntos mais voltados para o lado social, como o abandono, a criminalidade e a pobreza, sendo que a história é sobre garotos que vivem pelas ruas. Jorge Amado também coloca questões relativas ao sincretismo religioso, o que não é visto com bons olhos pelos mais conservadores. Além disso, o clássico baiano de 1936 mostra a dificuldade que os personagens têm de questionar seus próprios atos, visto que eles não conseguem perceber o quanto suas atitudes são erradas, até quando se trata de assunto extremamente sérios, como a prática de estupros, por exemplo. Capitães de Areia representa muito mais que uma breve polêmica, mas sim uma discussão séria acerca de problemas que, mesmo narrados há décadas, são tão atuais.

3. O Cortiço, Aluísio de Azevedo


Publicada em 1890, a obra naturalista de Aluísio de Azevedo, O Cortiço, polemizou sem dó. Entre os temas abordados estão o homossexualismo, prostituição e corrupção. Uma das personagens tinha um caso com sua afilhada, com direito a cenas de relações sexuais entre as duas. Além disso, essa mesma madrinha era prostituta e aliciava a afilhada a assumir tal ocupação. O dono do cortiço também é um personagem controverso devido à sua busca por riqueza a qualquer custo. Aliás, na obra de Azevedo, difícil é achar alguém que não tenha sido corrompido, mesmo que minimamente.

4. Asfalto Selvagem – Engraçadinha, seus pecados e seus amores, Nelson Rodrigues


Esse livro virou até série de televisão, que foi tão polêmica quanto a obra que a originou. O que poucos sabem é que originalmente esse livro era um folhetim publicado entre 1959 e 1960. Entre os temas que gerarão discussões estão o incesto, a homossexualidade e a traição. Nelson Rodrigues é conhecido por explorar a vida sexual de seus personagens e por fazer uso de uma narrativa um tanto quanto machista, e Engraçadinha não escapou à regra.

5. Bom-Crioulo, Adolfo Caminha


A narrativa de Caminha apresenta dois marinheiros que namoram, e como se isso já não fosse motivo para discussão, ele ainda descreve os atos sexuais entre os dois. Mas como polêmica pouca é bobagem, um deles era negro, isso em 1895, quando o livro foi lançado, ano em que relacionamentos entre negros e brancos eram bastante controversos. Em 1937, a Marinha conseguiu um embargo impedindo a reedição do livro, que só conseguiu ser publicado novamente 90 anos depois.

4 comentários:

  1. “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão” quando eu vi essa frase, eu pensei: tá, não é tão racista não, mas quando vi a outra fiquei passada! Eu já conhecia O Cortiço e já achava super polêmica as cenas entre a tinha e a afilhada, terrível. Os outros não conhecia e fiquei surpresa que lançaram um livro como o O Bom-Crioulo em plenos 1895 e que ainda passou quase 42 anos circulando entre as massas.
    Realmente muito legal essa postagem :)
    Estante de uma Fangirl

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    1. Que bom que vc gostou do post, Dani! Eu não li todos esses livros,mas já conhecia a história e as polêmicas deles, e Bom-Crioulo pra mim é o mais surpreendente devido ao ano em que foi lançado! O Cortiço foi até lançado antes, mas o livro de Caminha é o mais polêmico da lista, com certeza!

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  2. Oi Milly,
    Então... nunca li nenhum desses, mas tenho muita vontade de ler Capitães da Areia... Esse cara do Bom Crioulo (até o título é meio racista, convenhamos) ou tinha a mente muito a frente do seu tempo ou queria chocar a sociedade da época. Quero distância desse da Engraçadinha e até entendo os argumentos de quem queria proibir o do Monteiro Lobato, porque algo que afeta todos não afetaria também uma pessoa negra, isso ou é racista ou redundante ao extremo.
    Por falar nisso, já leu Dois Rios? É um livro incrível que entre várias coisas fala bastante sobre racismo... é lindo :3

    Grande abraço Milly ;)

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    1. Acho que Bom-Crioulo foi um título proposital devido à época em que foi lançado, poucos anos depois do fim da escravidão no Brasil... Nunca li Dois Rios mas já ouvi falar bem dele por aí. Vou procurar mais informações! PS: eu não assisto Doctor Who, então não posso opinar :P

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