28.9.15

Ganhei um Nobel: Dario Fo

Prêmio Nobel de Literatura 1997: Dario Fo, "que emula os bobos medievais no questionar da autoridade e no apoio à dignidade dos caídos".


Nascido em Sangiano, às margens do Lago Maggiore, na Itália, Dario é filho de um ator socialista chamado Felice e de uma escritora chamada Pina Rota. Acostumado a passar férias na fazenda do avô, Dario criava histórias e anedotas sobre o local, fato este que lhe deu o apelido de Bristìn, que significa "semente de pimenta". O grande responsável por ensinar ao garoto as técnicas para uma boa narrativa foi seu avô.

De acordo com que o emprego de seu pai exigia, a família de Dario ia mudando-se de cidade, o que acabou acontecendo com frequência durante toda sua infância. Isso o possibilitou expandir sua mente ao conhecer mais culturas, tornando-se, então, um jovem apaixonado pelo conhecimento.

Em 1940 mudou-se para Milão a fim de estudar arquitetura na Academia de Arte de Brera. Quase no final da guerra, Dario foi alistado no exército da República de Salò, porém conseguiu escapar, ficando escondido no sótão de uma loja até o final da guerra, quando voltou para a Academia de Brera. Já entre os anos de 1945 e 1951, decidiu de aventurar em projetos de palcos e decoração teatral, época em que começou a improvisar seus primeiros monológos. Esse período também foi quando o restante de sua família também mudou-se para Milão.

Tanto Dario quanto seus irmãos eram apaixonados pelos livros, e dentre os autores que devoravam estavam ninguém menos que Gramsci e Marx, além de vários novelistas americanos e as primeiras traduções de Brecht, Mayakovsky e Lorca. Nos anos seguintes, o autor se viu envolvido num novo movimento chamado teatri do piccoli (teatros pequenos), o qual teve um papel importante no desenvolvimento da idéia dos palcos populares.

Em 1950, ele escreveu uma parábola de Caim e Abel e a mostrou ao teatrólogo Franco Parenti. Na sátira, o tolo e miserável Caim não é apresentado como um personagem mau, mas sim como alguém que almejava ser como o esplêndido loiro de olhos azuis, Abel. Através desse trabalho, Franco convida Dario para se juntar a sua companhia de teatro. E é quando ele se junta a essa companhia que vê pela primeira vez, através de uma fotografia, aquela que seria sua esposa e musa, Franca Rame.

Por algum tempo ainda continua a trabalhar como o arquiteto, porém decide abandonar essa atividade graças à corrupção que presencia no setor. Em 2013, durante a indefinição política após as eleições parlamentares na Itália, Fo foi indicado para concorrer ao cargo de Presidente do país.

Além do Nobel, o autor também ganhou o importante Prêmio Sonning da Universidade de Copenhagen, em 1981.  
Entre suas obras, foram publicadas no Brasil Morte Acidental de um Anarquista e Outras peças Subversivas e Manual Mínimo do Ator. Não li nenhuma delas e, particularmente, não me interesso muito pelos títulos. Porém, é inegável que Fo é um dos grandes nomes da literatura, visto que foi laureado com o prêmio mais importante do gênero. Pra quem curte esses temas, deve ser um prato cheio!

2 comentários:

  1. Há anos, quando ainda morava no Rio, assisti a peça "Brincando Em Cima Daquilo", escrita por Dario Fo, com a grande Marília Pera. Uma delícia!
    Bem bacana esta postagem. Parabéns. Michelly!
    Bjs

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    Respostas
    1. Obrigada, Sueli! Queria eu ter tido essa sorte! :)

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