25.9.15

Resenha: Elantris


Elantris - Brandon Sanderson
576 páginas


"- Só se assegure de não se precipitar, jovem senhora - Roial pediu, olhando para ela. - Não corra se tem forças apenas para andar, e não perca tempo forçando paredes que não cederão. Mais importante ainda, não empurre quando um tapinha é suficiente."


Há 10 anos atrás, existia uma cidade que resplandecia em glória e era habitada por seres quase divinos. Essa cidade chamava-se Elantris e era a segurança e o conforto dos outros lugares em volta. Mas algo aconteceu, transformando a incrível cidade num lugar fétido, obscuro e violento. As pessoas que eram tomadas pela Shaod e tornavam-se elantrinos, antes possuíam uma pele iluminada e cabelos brancos, mas hoje são tomadas por manchas negras pelo corpo e perdem quase todo o cabelo. Além disso, sentem uma fome arrebatadora e suas dores nunca cessam.
Assim, ser atingido pela Shaod passou a significar a ruína de uma pessoa, sendo que logo que isso acontece, o novo elantrino é jogado para dentro das muralhas da decadente cidade, onde está condenado a viver para sempre com sua maldição.

Raoden, o príncipe de Arelon, era querido e muito popular, sempre manifestando opiniões contrárias as de seu pai, o rei Iadon. Mas aquilo que era o pesadelo de qualquer areleno aconteceu com Raoden, ele tornou-se um elantrino. O Rei, temendo a vergonha de ter um filho atingido pela Shaod, jogou seu herdeiro em Elantris e mentiu para a população dizendo que o príncipe estava morto.
Sarene era a princesa de Teod e estava prometida à Raoden. Com o intuito de fazer uma surpresa, chegou à Arelon alguns dias antes do casamento, e descobriu que a surpresa era sua: seu futuro marido estava morto. Desconfiada, a sagaz teodena não ficou satisfeita com as explicações dadas sobre a morte do noivo, então decidiu continuar em Arelon para honrar seu pacto matrimonial e, de quebra, ter mais chances de investigar se aquela história era mesmo verdadeira.
Mas não foi só Sarene que chegou em Arelon nesse momento de luto. Hrathen, um alto sacerdote de uma religião chamada Shu Dereth, também aportou na cidade. Contudo, seu intuito era bem mais violento... O gyorn tinha recebido a missão de converter os arelenos ao Shu Dereth dentro de 3 meses. Caso ele falhasse, Wyrn, líder de sua religião, invadiria e aniquilaria toda a população. Pois como o bom fiel que era, Hrathen chegou disposto a fazer qualquer coisa para ter sucesso em seu objetivo.

E é nesse ínterim que a vida dos três protagonistas de Elantris se cruzam. Um elatrino buscando sua salvação, uma teodena buscando pistas sobre a morte do marido e um gyorn buscando o que ele julga ser a salvação de um povo. E o melhor, cada um com seu próprio ponto de vista, alternando os capítulos.
Já falei em outras resenhas o quanto gosto desse tipo de estrutura onde mais de um personagem narra a história, o que permite o autor abranger um universo muito maior do que quando é apenas uma pessoa contando. Dessa forma, foi possível conhecermos mais a fundo o trio principal.

Amei Raoden e Sarene. O príncipe é apaixonante e mantém seu otimismo mesmo diante de grandes dificuldades. É o tipo de pessoa que gostamos de ter por perto pois, além de sua energia positiva ser contagiante, Raoden é do tipo que faz qualquer um ao seu lado se sentir protegido. Não que Sarene precise dessa proteção...
Falando nela, a princesa foge completamente dos padrões de menininha frágil. Apesar de ser impetuosa, ela não é daquelas que fazem as maiores burradas agindo por impulso. Sarene é estrategista e muito inteligente. Um orgulho ver uma personagem feminina representada desse jeito!
Já os capítulo de Hrathen foram os mais enfadonhos, contudo, talvez também os mais importantes. O tempo todo fiquei na dúvida se ele era realmente mau. Suas intenções eram equivocadas, sem dúvidas, mas suas atitudes sempre me deixaram com uma pulga atrás da orelha. Na verdade, acho que a intenção do autor não foi definir seus personagens como bons e maus, mas sim trazer o máximo de realidade para suas personalidades. Pois bem, ele conseguiu.

Mas quem me irritou de verdade foi Dilaf, o ajudando de Hrathen. Fanático, egocêntrico, sem noção e mau. Esse tá definido como mau mesmo, não tem dualidade nenhuma ali.
Por outro lado, conheci outros que ganharam meu coração. Galladon, o amigo elatrino de Raoden, foi um deles. Até seu pessimismo me agradou, tanto porque ele não tinha uma aura pesada, que é o que se espera dos pessimistas, mas apenas tentava não alimentar esperanças de um futuro melhor para não se decepcionar depois.

A história criada por Brandon Sanderson é criativa e inovadora. Já li muitas fantasias por aí, mas nada igual a Elantris. Ele conseguiu usar todos os velhos elementos desse gênero e, ao mesmo tempo, criar algo completamente novo. Sua narrativa foi outro ponto alto, visto que foi fiel e coerente até o final. O ritmo, apesar de lento pro meu gosto, não me incomodou em nada, já que era condizente com o clima criado.
Agora o final... Eletrizante e impossível de largar! Fiquei maluca com tanta coisa acontecendo, e também fiquei apreensiva e chocada pela facilidade com que personagens importantes foram mortos. Senti até uma brisa “Martiniana” no ar, e como vocês sabem, adoro essa brisa.
 
Apesar de todo meu encantamento pela obra, vocês devem ter observado que dei 4 corujinhas, e não 5, mas eu explico. O livro é enorme, e como falei mais lento do que o normal pra esse gênero. Mas okay. Isso realmente não me incomodou. O problema é que, com tantas páginas e tanto espaço, eu gostaria que as conspirações políticas tivessem sido mais exploradas do que foram. Na verdade, elas até foram abordadas, porém de uma forma mais implícita, sendo que gosto quando esse tipo de trama é escrachada.
Obviamente isso não diz respeito à qualidade da obra. É só o meu ponto de vista, e já que o objetivo de uma resenha é mostrar nossa opinião, achei que deveria tirar essa corujinha.

De qualquer forma, super indico a obra de Sanderson pra todo mundo, até pra quem não é fã de fantasia. Me encantei por Elantris e pelos elantrinos, me apaixonei por Raoden e Sarene, e até odiar Dilaf vai me fazer falta. O bom é que tenho esse mundo ao alcance das minhas mãos, e tenho a forte impressão que voltarei a visitá-lo mais cedo do que imagino...

10 comentários:

  1. Sua resenha me deixou curiosa... Vou ler esse livro depois.
    Gostei da citação. Ainda não conhecia esse livro, parece ser bom e achei a capa bonita.

    Ah, dá uma olhadinha na promoção para blogueiros literários que estou fazendo: http://meumundoemletras-gyh.blogspot.com.br/2015/09/parcerias-e-vendas-do-livro-vida-obscura.html

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já tô indo lá conferir sua promoção, Ingrid! Obrigada por avisar!

      Excluir
  2. Este livro é mesmo muito bom, mas ainda prefiro a série Mistborn !

    bomlivro1811.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tenho o primeiro Mistborn aqui, Maurilei, e já estou com altas expectativas!

      Excluir
  3. Tudo bem? Já somos parceiros e gostaria de entrar em contato via email por conta de uns ajustes que houveram no meu blog. Será que pode me enviar o endereço de email?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Vitória! O e-mail fica aqui na barra lateral, é misantos_86@hotmail.com :)

      Excluir
  4. Eu gostei muito desse livro. A história é fascinante.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, Cláudia! Brandon é um ótimo autor, agora vou ler o primeiro Mistborn! :)

      Excluir
  5. Já queeero <3

    maisumleitor.wordpress.com

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...