18.9.15

Resenha: Mago - Aprendiz


Mago: Aprendiz- Raymond E. Feist
432 páginas


“A tempestade cessara.
Pug saltava pelas rochas, encontrando pouco apoio para os pés no caminho entre as poças deixadas pela maré baixa. Os seus olhos escuros iam de um lado para outro ao examinar cada poça d’água debaixo da parte externa da falésia, procurando as criaturas espinhosas arrastadas para os bancos de areia pela tempestade que ali havia passado.”


Não é segredo pra ninguém que essa blogueira que vos fala tem uma queda (ou um penhasco inteiro) por livros de fantasia épica. Sendo assim, vocês podem imaginar como fiquei exultante quando ouvi que a famosa Saga do Mago, escrita por Raymond E. Feist, chegaria no Brasil depois de tanto tempo. Logo que comecei a procurar informações, as opiniões eram as melhores possíveis, o que foi me deixando cada vez mais empolgada. Então finalmente comprei os dois primeiros volumes e comecei a ler Mago: Aprendiz...

A história é centrada em Pug, um órfão que cresceu em Crydee, criado pelos cozinheiros do castelo do Duque Borric e pais de seu melhor amigo, Tomas. Um dos costumes dessa vila é a realização de uma cerimônia onde os mestres escolhem seus aprendizes entre os garotos disponíveis. Pug aguarda ansiosamente por esse dia, mas quando chega o momento as coisas não saem exatamente da forma que ele imaginou. No final das contas, o pequeno órfão acaba como aprendiz do mago Kulgan, começando, então, seus ensinamentos nas artes mágicas.
Apesar de seu esforço, Pug não tem muito sucesso no começo, porém, certo dia, numa situação de perigo, ele vê seus poderes despertarem, o que dá início à evolução do garoto em seu novo ofício. Enquanto isso, Crydee é assolada por um perigo obscuro, o qual ninguém sabe ao certo do que se trata, mas todos sabem de uma coisa: a guerra se aproxima.

Como eu sempre digo, há certos livros que não dá pra resumir muito sem encher os leitores de spoiler, o que é o caso da maioria das fantasias épicas. Assim, como não é minha intenção estragar as surpresas que o livro guarda, passo para a esplanação das minhas impressões sobre a narrativa.
O primeiro volume da Saga do Mago vai muito bem até quase a metade, porém, depois de certo ponto, seu rendimento despenca vertiginosamente. A narrativa, que no começo é ágil e envolvente, torna-se lenta e desinteressante, a ponto de me deixar com preguiça de terminar a leitura. Mas que fique claro, gostei muito da escrita de Feist, só não gostei da forma com que ele conduziu sua história.
Uma das coisas que mais me incomodaram foram os saltos no tempo durante o texto. Eu gostaria de ver a evolução de Pug na magia de forma gradativa, acompanhando cada nova conquista, porém, com esses tais saltos as coisas aconteceram fora das nossas vistas. Enfim, me chateou o fato de ter que apenas imaginar como sua mágica foi desenvolvida.
Com relação às partes boas, saliento a construção de alguns personagens, um deles em especial: Tomas. Eu gostei muito de Pug, torço por ele e acho um bom protagonista, porém meu coração é todo do Tomas. O trecho do “labirinto na montanha dos anões” é demais, minha parte preferida do livro.
Por outro lado, teve personagem que me irritou demais. Pense numa menina mimada e inconstante e vocês terão uma ideia de Carline, a filha do Duque. Tiveram momentos que eu até entendia suas atitudes, mas não fui com a cara mesmo e pronto. E não é só por ela ser chata, mas também achei a construção da garota bastante confusa. Acho que foi a tentativa mais infeliz de Feist de construção de um personagem nesse livro.

Apesar de admitir o talento do autor, pois ele tem uma escrita muito boa, não tive vontade de sair correndo pra ler o segundo volume, o que, em se tratando de uma fantasia épica, é uma raridade pra mim.
Gostaria muito que o aprendizado de Pug tivesse sido mostrado e que o ritmo do livro continuassse como foi no início, mas infelizmente nem tudo é como a gente espera.
É uma pena, ainda mais se pensarmos que Aprendiz tinha tudo nas mãos para ser impressionante, contudo a condução da narrativa desperdiçou o potencial da história. Quem sabe eu leia o próximo. Quem sabe...

8 comentários:

  1. Tenho esta série na estante mas ainda não li nenhum. Li A Filha do Império do autor e achei muito bom.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Quem sabe eu dê mais sorte com A Filha do Império, então... :)

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  2. Oi, Michelly! De fato, é difícil resenhar alguns gêneros sem dar spoilers, já li algumas fantasias épicas, mas nunca havia ouvido falar da Saga do Mago. Essa capa é linda!
    Beijos,
    http://www.moleca20.com.br

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  3. Ain eu tava animada pra ler esse livro.. agora desanimou um pouco kkkk'

    www.maisumleitor.wordpress.com

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    1. Não é que ele seja ruim, acho que eu que esperei demais dele... Mas dá uma chance! Quem sabe vc gosta!

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  4. Oi Milly,
    Adivinha se quero ler esse livro? Em relação a livros de fantasia você está no topo do penhasco e eu na base, já ouvi falarem que esse livro é muito parecido com O Nome do Vento, mas também já vi um fã de A Crônica do Matador do Rei desmentindo isso, prefiro acreditar nele e em você e não ler :p

    Grande abraço!!!!

    Leitor Antissocial

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    1. Sobre ele ser parecido com O Nome do Vento: nada a ver. kkkkkkk

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